Klaus Hart Brasilientexte

Aktuelle Berichte aus Brasilien – Politik, Kultur und Naturschutz

Brasilien, “immense Passivität”: “Para mim, o que caracteriza realmente o povo brasileiro é sua imensa passividade…”. Brasilianische Mentalität. “O povo assiste, calado, aos escandalos mais chocantes.” Dr. Claudio Guimaraes dos Santos, Sao Paulo.

Todos cantam a sua terra…

Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro valorizaram, cada um a seu modo, a natureza mestiça do povo brasileiro. Sérgio Buarque de Holanda realçou o caráter “cordial” da nossa gente, marcado por uma afetividade exuberante -mas nem sempre sincera- que compromete, muitas vezes, a objetividade nas relações interpessoais, sobretudo quando se trata de distinguir a esfera privada da pública. Outros, como Antonio Candido, se debruçaram sobre o nosso “jeito malandro de ser”, táo festejado pela MPB. Eu, porém, pedindo vênia aos pais fundadores das nossas ciências humanas, ousarei divergir.

Lulas Mensalao-Skandal, Hintergrund: http://www.hart-brasilientexte.de/2009/03/06/elitenliebling-lula-macht-alles-richtig-partido-do-movimento-democratico-brasileiropmdb-wichtigster-partner-der-regierungsallianz-jose-sarney-chef-des-nationalkongresses-ex-staatsprasident-collor/

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Dr. Claudio Guimaraes dos Santos beim Website-Interview in Sao Paulo

Para mim, o que caracteriza realmente o povo brasileiro é a sua imensa passividade, à qual se alia um péssimo conceito de si mesmo. Essa baixa autoestima nos faz idolatrar o que provém do estrangeiro -especialmente dos Estados Unidos e da Europa- e desprezar o “similar nacional”, ainda quando este é, de fato, o melhor.

Trata-se da conhecida “doença de Joaquim Nabuco” -como a chamava Mário de Andrade-, que é o fascínio irresistível pelas “luzes” do “Primeiro Mundo”.

Quanto à passividade, ela náo poderia ser mais evidente. O povo assiste, calado, aos escândalos mais chocantes: na “high society”, é o gangsterismo que viceja, sem vergonha, por entre orgias gastronômicas, degustações enológicas e colunas sociais; no Legislativo, sáo as velhas negociatas que maculam, ainda mais, a imagem dos congressistas; no Executivo, seja qual for o nível, é a manipulaçáo politiqueira do Orçamento, é o uso eleitoreiro dos recursos, é o retorno quase nulo, sob a forma de serviços, dos tributos excessivos; no Judiciário, além da lentidáo, é a estranha condescendência, cada vez mais comum, com a retórica capciosa de alguns advogados, que desfiguram, pelo uso sofístico, os baluartes constitucionais da cidadania -como o direito ao habeas corpus ou ao devido processo legal-, os quais só valem para os poderosos.

A passividade do povo brasileiro chega a ser táo absurda que náo é raro verificarmos a reeleiçáo de figuras corruptas pelos mesmos ingênuos eleitores que, “ainda ontem”, por elas haviam sido ludibriados. É o popular “me engana que eu gosto”…

Trata-se, penso eu, de um traço bastante constante da nossa personalidade coletiva, que nos tem acompanhado ao longo da história, ainda que com algumas exceções: umas mais violentas -como Palmares, a Balaiada, a Cabanagem, Canudos, o Contestado, a revolta da Vacina ou a guerrilha dos anos de chumbo; outras mais pacíficas -como o Fora Collor e as Diretas-Já. Além do mais, pouquíssimas dessas revoltas contaram com a adesáo significativa da populaçáo brasileira, sofrendo, antes, a sua veemente condenaçáo.

(Que nos baste, como exemplo, recordar o que se deu com os raros cidadáos que, de armas na máo, realmente se insurgiram, com “fibra de herói de gente brava”, contra o regime militar -ainda que alguns deles, é verdade, almejassem a instalaçáo de uma outra ditadura, só que de índole marxista: iludidos com a perspectiva de um maciço apoio popular, ficaram todos a ver navios, já que a maioria dos brasileiros náo deixou de usufruir as migalhas do “milagre econômico”, nem muito menos de festejar os “heróis” da Copa de 70, pouco se importando se o “pau comia solto” nos subsolos do poder.)

Se quisermos, portanto, ser sinceros, precisaremos admitir que a revolta aberta e franca nunca foi mesmo o nosso “forte”, ou, por outra, se ela o foi alguma vez, vem deixando de sê-lo a cada dia.Em vez dela, preferimos uma cerveja gelada, um bom pagodinho, um sofá e uma TV, a mesa do botequim. Briga mesmo só se for pelo time do coraçáo -assim reza o triste lema desta “pátria de chuteiras”, que se afunda mais e mais na indiferença e na apatia.

Todavia, teremos de ser sempre desse jeito? Náo nos será jamais possível, nem mesmo num remoto futuro, neutralizar o escravismo e a cultura clientelista que, desde o início, nos macularam o sangue, debilitando-nos o caráter? Náo lograremos nunca dar um basta a essa elite bandida, decapitando, se necessário, ainda que metaforicamente, as suas “cabeças coroadas”? Ou decerto náo o faremos precisamente porque, lá no fundo, nós de fato idolatramos esses mesmos que nos pisam, só por sabê-los capazes de conquistar o que desejamos e que náo ousamos assumir?

E quanto à nossa autoestima? Até quando nos sentiremos “losers”, totalmente por baixo, só por falarmos português? Desde o 7 de Setembro, nós somos um país. Falta-nos, ainda, embora poucos o saibam, virarmos uma naçáo. Longe vá temor servil!

Por CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS, médico, neurocientista, escritor e doutor em linguística pela Universidade de Toulouse-Le Mirail (França).

Fonte: Jornal “A Folha de S. Paulo” de 16/04/09. , aus promotordejustica.blogspot

http://www.hart-brasilientexte.de/2009/05/15/dr-claudio-guimaraes-dos-santos-mediziner-therapeut-schriftsteller-sprachwissenschaftler-publizist-unter-den-wichtigsten-denkern-brasilien/

DAAD-Stipendiat und Schriftsteller Joao Ubaldo Ribeiro: http://www.swr.de/swr2/programm/extra/lateinamerika/stimmen/beitrag20.html

http://www.hart-brasilientexte.de/2009/03/17/was-der-fall-paula-oliveira-uber-brasilien-aussagt-leitartikel-im-o-estado-de-sao-paulo-nationalcharakter-mentalitat-soziokulturelle-faktoren-rule-of-law-pmdb-jarbas-vasconcelos-zynis/

http://www.hart-brasilientexte.de/2008/04/08/lateinamerikas-katholische-nachrichtenagentur-adital-der-individualistische-und-wenig-solidarische-charakter-des-brasilianers/

http://www.hart-brasilientexte.de/2009/02/27/lateinamerikaner-haben-akzentuierte-auslanderfeindlichkeit-enthullt-studie-latino-americanos-tem-xenofobia-acentuada-revela-estudo-vielzitierter-bericht-von-qualitatszeitung-folha-de-sa/

http://www.hart-brasilientexte.de/2008/08/24/nur-drei-prozent-der-brasilianer-halten-fur-moglich-in-mitmenschen-zu-vertrauen-sagt-neue-mentalitatsstudie/

http://www.hart-brasilientexte.de/2009/02/10/trote-zwangs-bad-in-scheise-und-abwasser-tritte-schlage-blutende-wunden-alkohol-komabrasiliens-uni-kultur/

http://www.hart-brasilientexte.de/2008/03/09/jeder-vierte-brasilianer-wurde-verdachtige-foltern-neue-meinungsumfrage/

http://www.hart-brasilientexte.de/2008/12/13/deutsche-spendenhilfe-fur-zehntgroste-wirtschaftsnation-brasilien-zuwenig-spenden-der-brasilianischen-milliardare-und-millionare/

Guido Westerwelle und Brasilien:  http://www.hart-brasilientexte.de/2013/12/26/guido-westerwelle-war-gestern-der-spiegel-westerwelle-in-brasilien-keinerlei-kritik-an-gravierenden-menschenrechtsverletzungensystematische-folter-todesschwadronen-liquidierung-von-menschen/

Dieser Beitrag wurde am Dienstag, 28. April 2009 um 00:29 Uhr veröffentlicht und wurde unter der Kategorie Kultur, Politik abgelegt. Du kannst die Kommentare zu diesen Eintrag durch den RSS-Feed verfolgen.

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