Klaus Hart Brasilientexte

Aktuelle Berichte aus Brasilien – Politik, Kultur und Naturschutz

Olympische Sommerspiele 2016 und die Kritik der katholischen Kirche, kirchlicher Menschenrechtsaktivisten in Brasilien…”Zwei Wochen Pause für eine erschöpfte und verärgerte Gesellschaft.” Bereits drei Tage lang heftige Feuergefechte zwischen Polizei und Banditenkommandos in Slumregion “Morro do Alemao” in Rio de Janeiro. Tod des von Banditenkommando erschossenen Militärs erst nach Tagen offiziell eingeräumt…

Olimpíadas: ‘perdemos a oportunidade de nos mostrar uma sociedade competente

Paulista164

 

Rousseff-Amtsenthebung 2016:http://www.hart-brasilientexte.de/2016/09/02/brasilien-2016-amtsenthebung-von-staatspraesidentin-dilma-rousseff-und-fortdauernde-manipulative-berichterstattung-des-europaeischen-mainstreams-ueber-die-situation-im-us-hinterhof-brasilien-rechts/


ESCRITO POR GABRIEL BRITO, DA REDAÇÃO
QUARTA, 13 DE JULHO DE 2016

A cerca de 20 dias dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, até as autoridades que mais participaram de sua elaboração vieram a público admitir algumas temeridades, em especial na questão da segurança urbana. Para discutir tal aspecto e também fazer um balanço da preparação esportiva brasileira, o Correio entrevistou a psicóloga esportiva Katia Rubio, autora do livro Atletas Olímpicos Brasileiros, que conta a história de quase 1800 atletas nacionais que foram aos jogos, a imensa maioria anônima.

“Sabemos que não precisava aparecer o Eduardo Paes para avisar, mas havia um jogo de empurra entre as instâncias federal, estadual e municipal e, ao faltar um mês para os Jogos, ficam evidentes as principais falhas do sistema. Uma vez mais, tentou-se trabalhar com entes internacionais como se fossem nossos vizinhos de portão, acostumados com a desorganização tão escancarada que permeia o Brasil em diversas instâncias”, lamentou.

Na entrevista, Katia Rubio, também pesquisadora da USP, esclarece a diferença entre o espetáculo e a cultura esportiva, a fim de ressaltar que os Jogos não necessariamente farão que a população pratique mais esportes em seu dia a dia. A seu ver, o acesso a diversas modalidades continuará restrito a clubes privados, uma vez que apenas um forte investimento na base, através das escolas, poderia formar uma maior quantidade de potenciais atletas.

“Em termos de preparação do atleta, é inegável que houve avanço em relação ao passado, em função de todo o dinheiro injetado. Porém, infelizmente, só se cobre a superfície, uma vez que o investimento na base ficou a desejar. A lição que os jogos do Rio de Janeiro deixam é de o país, efetivamente, não querer dar passos maiores que as pernas”, analisou.

Pergunta que não cala
Written by
CNBB
Published:
21 July 2016
Category:
Dom Jaime Spengler

Arcebispo de Porto Alegre

Em manifesto recente, no início do mês no Aeroporto Internacional Tom Jobin, o Galeão, no Rio de Janeiro, agentes das forças de segurança diziam: “Nós estamos morrendo. Os criminosos olham para a nossa identidade e nos matam. Como uma cidade que não tem segurança pode sediar os Jogos? Para a Olimpíada tem tudo, para a gente, nada”.

A declaração aponta uma situação crítica da realidade não só do Rio de Janeiro, mas também de outras unidades da federação. A violência tem alcançado índices tais que colocam o Brasil entre os países mais violentos do mundo. Tal situação é expressão de uma realidade muito mais complexa. Ela tem sua origem na família, passa pela educação, culminando com a dificuldade, sobretudo dos jovens, de encontrar um curso universitário qualificado e viável para quem sente a necessidade de também encontrar um lugar de trabalho digno.

As Olimpíadas são expressão da sempre rica possibilidade de integração dos povos e culturas através da prática esportiva. Nesse sentido é uma honra para o Brasil poder sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Há um esforço enorme de muitos para que tudo corra da melhor forma possível. Um evento deste nível representa uma oportunidade ímpar para promover as belezas naturais locais, as ricas tradições culturais, a boa cozinha brasileira, o espírito alegre e acolhedor da população.

Entretanto, o evento olímpico também desmascara uma realidade nacional grave que alguns teimam em esconder. O enorme fosso existente, e que persiste, entre ricos e pobres, expressões da classe política e a população, bem público e privado, ética e antiética, decência e indecência, legalidade e ilegalidade.

O próprio Estado do Rio de Janeiro decretou recentemente calamidade pública, pois a grave crise financeira que enfrenta “vem impedindo o Estado de honrar com os seus compromissos para a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016″. Embora os recursos financeiros para a conclusão das inúmeras obras necessárias à realização dos jogos já tenham sido garantidos, sobretudo por meio de incentivo (renúncia fiscal), resta uma grande insatisfação relativa a tantos outros aspectos da vida social que necessitam urgentemente de atenção.

Os Jogos Olímpicos têm seu início e conclusão. Todavia, a população solicita atendimento urgente das necessidades básicas. Não basta favorecer um belo cenário para a realização do evento. É preciso responder às reais situações que o povo honesto e trabalhador enfrenta no dia a dia.

Há temas que se tornaram cansativos, mas não insignificantes. O que dizer da desconstrução paulatina dos valores familiares? E os índices de violência? Como obter assistência à saúde à altura de quem honestamente luta para conseguir o pão de cada dia? Como justificar a baixa qualidade do ensino público? Por que, então, não favorecer também o ensino privado? Por que tanta necessidade de rever orçamentos? Seriam os projetistas incompetentes? Como agir diante de informações de tanta corrupção?

Os Jogos Olímpicos representam uma ótima chance para mostrar ao mundo o que o Brasil tem de melhor. Ao mesmo tempo, porém, é oportunidade para mais uma vez teimosamente denunciar as mazelas de conglomerados de todo tipo que agem como detentores de um poder indigno: corrupção, falcatruas, desonestidade, ausência de espírito cívico.

O legado da Copa do Mundo recentemente celebrada foi de obras inacabadas, estádios deslocados, denúncias de desvios financeiros de todo tipo. Se há dinheiro para tais obras – embora os respectivos orçamentos necessitem de frequentes revisões – não haveria também o necessário para suprir as necessidades básicas da população, especialmente dos menos favorecidos?

A entrevista completa com Katia Rubio pode ser lida a seguir.

Correio da Cidadania: A um mês dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o Eduardo Paes veio a público e disse que a “segurança está horrível”, enquanto Juca Kfouri afirmou que se não morrer nenhum atleta já se estará no lucro, dentre outras críticas que se generalizam no público sobre a cidade. Diante de tais visões, o que você espera para a realização e condução do megaevento? Estamos diante de situações de risco no período dos jogos?

Katia Rubio: Certamente estamos. A questão é o que fazer. Sabemos que não precisava aparecer o Eduardo Paes para avisar, mas havia um jogo de empurra entre as instâncias federal, estadual e municipal e, ao faltar um mês para os Jogos, ficam evidentes as principais falhas do sistema.

Torcemos para que nenhum acidente, ou incidente, aconteça e coloque em risco a vida de pessoas que vierem assistir, brasileiros e estrangeiros. E que não aconteça nada com tudo que foi feito atabalhoadamente, em termos de construções e instalações destinadas a dar conta das exigências do COI.

Infelizmente, perdemos a oportunidade de nos mostrar para o mundo como uma sociedade competente. É o que mais lamento. Competência não nos falta. O que faltou foi gestão.

Correio da Cidadania: Qual o balanço que você faz da preparação estrutural do Brasil para receber os Jogos, considerando a participação de todas as esferas governamentais?

Katia Rubio: O processo, lamentavelmente, foi sendo deixado para o dia seguinte, quando se precisava ter planejamento de alto nível há sete anos, desde quando se definiu o Brasil como sede olímpica.

Porém, infelizmente, a Matriz de Responsabilidades foi divulgada apenas em 2014, depois da Copa do Mundo, a fim de esclarecer qual ente governamental faria o que. Todo esse conjunto chega em 2016 gritando ao mundo a falta de planejamento e estratégia dos executores e gestores de um evento que não é do Brasil, é do Comitê Olímpico Internacional (COI). O Brasil, na verdade, apenas paga o pedágio para ser o executor de um evento que não é nosso.

Uma vez mais, tentou-se trabalhar com entes internacionais como se fossem nossos vizinhos de portão, acostumados com a desorganização tão escancarada que permeia o Brasil em diversas instâncias.

Correio da Cidadania: Acredita na ideia do legado físico e estrutural para a população, a exemplo de construções como a Vila Olímpica?

Katia Rubio: É importante deixar claro que uma coisa é legado e outra coisa é negócio. A Vila Olímpica foi construída para ser um grande condomínio. A determinação de fazer dela um condomínio já a torna uma construção particular. Legado seria aquilo que é público; privado não é legado, é negócio.

No entanto, o que será ou não legado me deixa temorosa de fazer alguma afirmação, porque já vimos, até de outros eventos, o que aconteceu com equipamentos públicos. É muito dinheiro gasto em cima de coisas que não temos condição de confirmar que serão preservadas e, de fato, se tornarem legado.

Correio da Cidadania: Dentro das quadras, pistas, piscinas, como você avalia a preparação brasileira ao longo dos últimos anos?

Katia Rubio: Em termos de preparação do atleta, é inegável que houve avanço em relação ao passado, em função de todo o dinheiro injetado. Porém, infelizmente, só se cobre a superfície, uma vez que o investimento na base – isto é, aquele contingente de onde podem despontar atletas olímpicos – ficou a desejar.

Os atletas olímpicos brasileiros nunca tiveram tanto dinheiro pra promover seus treinamentos como agora e nunca tiveram tantas oportunidades de intercâmbio como agora.

Mas não é suficiente. Não dá pra imaginar que por essa razão se faz do atleta brasileiro um medalhista. Na verdade, o que ocorreu nos últimos sete anos foi correr atrás de uma defasagem técnica e de formação pessoal histórica do Brasil.

Houve evolução? Sim. Mas não é suficiente para colocarem os atletas brasileiros entre os melhores. São necessárias pelo menos mais duas gerações olímpicas para alcançar tal objetivo. E a partir de uma atuação na base, não no topo.

Correio da Cidadania: Já que você destaca o papel da formação de base, acredita que depois dos jogos teremos um país, pelo menos um pouco, mais desenvolvido nas modalidades historicamente relegadas? O que poderia ser feito?

Katia Rubio: Em primeiro lugar, deveríamos buscar uma massificação da prática esportiva, que inegavelmente começa na escola. Quando se tem uma boa educação física e motora, a criança tem suas habilidades básicas desenvolvidas para além do interesse da prática esportiva. Quando se tem “analfabetos motores”, em função de as escolas estarem desobrigadas da educação física, fica difícil esperar uma população olímpica, pois o esporte fica realizado nos clubes privados. Ou seja, do jeito que está o esporte continua sendo um privilégio das classes mais favorecidas.

Correio da Cidadania: Mesmo diante de tais problemas estruturais, não ficará uma maior “cultura esportiva”, inclusive no aspecto da prática amadora de esportes e sua relação com a saúde e bem estar, ou a oportunidade foi desperdiçada?

Katia Rubio: Veja bem, os Jogos Olímpicos nunca foram desencadeador de cultura esportiva. São um evento que acontece durante 19 dias a cada quatro anos. É um evento exatamente por se tratar de uma eventualidade. É falacioso falar que Olimpíadas promovem a prática esportiva. Não. É um espetáculo onde as pessoas sentam para assistir.

O legado cultural dos jogos é a possibilidade do desenvolvimento da paixão pelo esporte. Mas entre a paixão e a prática há um grande caminho a ser percorrido. O atleta e a prática esportiva de um grupo tão pequeno como o dos atletas olímpicos são muito mais uma inspiração do que um impulso efetivo à prática esportiva. A prática se fomenta através da educação, e não do espetáculo.

Correio da Cidadania: Em sua visão, quais foram os maiores erros e os maiores acertos na organização e preparação do país para os jogos?

Katia Rubio: Não gostaria de colocar como acertos e erros. Mas penso que os governantes brasileiros foram mobilizados muito mais pela emoção que pela razão no pleito aos Jogos Olímpicos. Desejar fazer parte do Conselho de Segurança da ONU não significa ter condições de ser parte deste Conselho. Desejar as Olimpíadas não significa ter condições de realizá-las.

A lição que os jogos do Rio de Janeiro deixam é de o país, efetivamente, não querer dar passos maiores que as pernas.

Correio da Cidadania: Pra fechar a entrevista, gostaríamos que fizesse um comentário sobre seu livro, uma obra praticamente sem paralelo nas publicações esportivas brasileiras.

Katia Rubio: O livro Atletas Olímpicos Brasileiros é fruto de uma pesquisa de 15 anos, na qual eu e minha equipe de trabalho entrevistamos 1796 atletas que participaram da história olímpica brasileira desde 1920 até 2012.

As entrevistas contam a história dos Jogos Olímpicos no Brasil pelo olhar do atleta. Mostramos a trajetória, por quais clubes passaram, quais edições participaram.

Sem dúvida, é um trabalho inédito, de fôlego olímpico, que tenta mostrar um pouco ao país quem são efetivamente os responsáveis por aquilo que é o esporte olímpico atualmente. Enquanto se fala tanto de estádios, segurança e infraestrutura, pouco se fala de quem realmente construiu a história esportiva brasileira. A função do livro é resgatar a memória esportiva de todos esses atletas.

 

Frei Betto
Adital
As Olimpíadas são consideradas o único evento internacional que congrega quase todas as nações do mundo e no qual o espírito esportivo supera qualquer intromissão política.Parafraseando Caetano Veloso, de perto nenhum evento é politicamente neutro. Hitler fez de tudo para manipular os Jogos Olimpícos disputados em Berlim, em 1936, e teve que engolir a superioridade de atletas negros frente a seus “arianos”.Os EUA boicotaram as Olimpíadas de Moscou, em 1980, em protesto contra a invasão do Afeganistão pelos soviéticos. E agora, por razões políticas (Ucrânia e Síria), a Rússia é impedida de participar de certas modalidades esportivas na Rio-2016 sob o pretexto de doping.Será que entre os 206 países representados no Rio apenas um, a Rússia, teve atletas anabolizados por substâncias proibidas?
Acreditar que o COI (Comitê Olímpico Internacional) paira acima de qualquer ideologia é crível para menores de 10 anos… A Fifa também pairava acima de qualquer suspeita de corrupção, até que passou a ser intensamente investigada depois de aprovar Moscou como sede da Copa do Mundo de 2018.

As acusações de doping em atletas russos foram feitas por Grigori Rodchenkov, ex-diretor do laboratório de Moscou, que hoje vive exilado nos EUA. Apontou como responsáveis o Ministério dos Esportes russo e a FSB (Serviço Federal de Segurança), antiga KGB.

O COI criou uma comissão supostamente independente para analisar as acusações. A conclusão foi culpar a entidade olímpica russa e, de quebra, o governo de Putin. Daí o apoio do COI à IAAF (Federação Internacional de Atletismo) ao decidir suspender atletas russos das Olimpíadas do Rio, justamente em modalidade na qual tradicionalmente se destacam. A IAAF sugeriu ainda que aqueles que comprovarem não terem sido dopados participem dos jogos como “neutros”, e não sob a bandeira da Rússia…

Por sua vez, a Federação Internacional de Halterofilia (IWF) reduziu o número de levantadores russos na Rio-2016, devido “ao problema de doping no esporte russo.”

Por que não se dá ouvidos à sugestão da atleta russa Yelena Isinbáyena de rever os laudos antidopagem de diversos atletas olímpicos, e não só dos russos?

Em um evento que congrega 206 países, mais do que a própria ONU, que possui hoje 193 filiados, como fazer do esporte algo parecido à música, que está acima de qualquer disputa política?

Olimpíadas 2016: “O assunto ambiental não é item prioritário”
IHU – Unisinos
Adital
Entrevista especial com Mario Moscatelli

“A cidade do Rio de Janeiro se nivelou por baixo. Simplesmente o assunto ambiental não é item prioritário nem para a maioria da classe política e tampouco para a maior parte da sociedade, que parece ter incorporado a degradação ao cenário da cidade”, lamenta o biólogo.
Manguezais da baía de Guanabara transformados em depósitos de lixo. Imagem cedida pelo entrevistado
Apesar de a abertura oficial das Olimpíadas Rio 2016 ter sido marcada por um discurso ecológico, chamando a atenção para os problemas ambientais e para a necessidade de se ter um mundo mais verde, na prática, a situação ambiental da cidade do Rio de Janeiro é “caótica”, e a “maioria das bacias hidrográficas são valões de lixo e esgotos”, resume Mario Moscatelli à IHU On-Line.

Segundo ele, o espetáculo de abertura foi “uma hipocrisia artística do tipo ‘faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço’, vinda principalmente do Rio de Janeiro, onde as autoridades brasileiras se esmeraram em não cumprir praticamente nada no quesito ambiental”.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Moscatelli informa que “75% das margens” da baía de Guanabara, onde acontecem as competições de vela, “estão degradadas por lançamento de esgoto in natura e todos os tipos de resíduos, tudo fluindo dos rios em direção à baía, coisa de 18 mil litros de esgoto sem tratamento por segundo e 200 toneladas/dia de resíduos. Um verdadeiro caos”.

Na avaliação dele, a baía faz parte da “indústria da degradação”.

Ele explica: “A baía de Guanabara faz parte daquilo que eu chamo da indústria da degradação, onde de tempos em tempos o governo estadual do Rio de Janeiro inventa projetos de recuperação da baía e obtém empréstimos bilionários do exterior. Os recursos chegando são usados de qualquer maneira, ao gosto dos políticos do momento, alcançando pífios resultados ambientais sem qualquer tipo de investigação ou sanção das esferas de fiscalização. Aí, anos depois, novos programas são criados e mais dinheiro é captado. Segundo a minha hipótese, a baía degradada é uma necessidade para que a indústria da degradação continue funcionando enquanto houver quem empreste dinheiro para o governo do estado. Simplesmente inventaram mais uma forma de ganhar dinheiro fácil: com a degradação da baía”.

Mario Moscatelli é biólogo, graduado pela Universidade Santa Úrsula (USU), especialista em Gestão e Recuperação de Ecossistemas Costeiros e mestre em Ecologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ.

Confira a entrevista.

Rio Pavuna – um dos exemplos dos rios que chegam no sistema lagunar de Jacarepaguá. Imagem cedida pelo entrevistado.
IHU On-Line – Como você caracteriza a atual situação ambiental do Rio de Janeiro neste momento em que estão acontecendo os Jogos Olímpicos? Em quais partes da cidade encontra-se uma situação ambiental mais crítica?

Mario Moscatelli – A situação é caótica, onde a maioria das bacias hidrográficas são valões de lixo e esgoto. As baías (Guanabara e Sepetiba) e o sistema lagunar da baixada de Jacarepaguá são latrinas e depósito de resíduos de todos os tipos.

Independente de serem áreas socioeconômicas mais pobres ou ricas, a cidade do Rio de Janeiro se nivelou por baixo. Simplesmente o assunto ambiental não é item prioritário nem para a maioria da classe política e tampouco para a maior parte da sociedade, que parece ter incorporado a degradação ao cenário da cidade. O resultado final é a degradação e o descomprometimento do ativo mais importante de uma cidade considerada turística, isto é, seu ambiente.

IHU On-Line – Por que afirma que hoje se vive um “terrorismo ambiental” no estado do Rio de Janeiro?

Mario Moscatelli – Porque o poder público se dá ao direito de degradar a cidade onde quiser, quando quiser e na intensidade que quiser, sem ser incomodado por qualquer tipo de ação das demais esferas de fiscalização.

Apesar das centenas de leis ambientais nas três esferas do Executivo, simplesmente “não pega nada” para os delinquentes governamentais, seja por ação, seja por omissão. A impunidade na degradação dos recursos naturais é garantida quase que por uma prevaricação sistêmica assistida e consentida pela sociedade que paga, não leva, adoece e ainda faz graça sobre o assunto. Em resumo: O mal ambiente compensa!

IHU On-Line – Segundo informações da imprensa, o governo do Rio havia se comprometido a alcançar 80% de saneamento do esgoto que deságua na baía de Guanabara até 2016. Por que essa meta não foi cumprida? O que foi feito até o momento?

Mario Moscatelli – Porque nunca houve a intenção de alcançar coisa alguma. A baía de Guanabara faz parte daquilo que eu chamo da indústria da degradação, onde de tempos em tempos o governo estadual do Rio de Janeiro inventa projetos de recuperação da baía e obtém empréstimos bilionários do exterior. Os recursos chegando são usados de qualquer maneira, ao gosto dos políticos do momento, alcançando pífios resultados ambientais sem qualquer tipo de investigação ou sanção das esferas de fiscalização. Aí, anos depois, novos programas são criados e mais dinheiro é captado.

Segundo a minha hipótese, a baía degradada é uma necessidade para que a indústria da degradação continue funcionando enquanto houver quem empreste dinheiro para o governo do estado. Simplesmente inventaram mais uma forma de ganhar dinheiro fácil: com a degradação da baía.

IHU On-Line – Qual é a atual situação das águas da baía de Guanabara?

Mario Moscatelli – 75% das margens da baía estão degradadas por lançamento de esgoto in natura e todos os tipos de resíduos, tudo fluindo dos rios em direção à baía, coisa de 18 mil litros de esgoto sem tratamento por segundo e 200 toneladas/dia de resíduos. Um verdadeiro caos, onde progressivamente as espécies animais mais sensíveis são simplesmente eliminadas, afetando a biodiversidade da baía.

IHU On-Line – Quais são as causas da contaminação da baía de Guanabara?

Mario Moscatelli – São pelo menos três: primeiro, crescimento desordenado da malha urbana – as políticas de habitação permanentes e eficientes continuam uma miragem e o que continua valendo é o crescimento desordenado que gera bem mais votos; segundo, falta fiscalização permanente e eficiente no parque industrial – falta pessoal e equipamentos para dar conta do controle; e terceiro, falta universalização dos serviços de coleta e tratamento de esgoto – esse, inclusive, virou um grande negócio, onde se cobra por um serviço não prestado.

IHU On-Line – E qual é a situação da lagoa de Jacarepaguá, em cujas margens foi construído o Parque Olímpico?

Mario Moscatelli – Caótica. Trabalho na região desde 1992 e só vejo as coisas piorarem. Todos os oito rios que chegam às lagunas estão mortos por esgoto, produto do crescimento desordenado e da falta de universalização do serviço de coleta e tratamento de esgoto. Das quatro lagunas, apenas a de Marapendi está menos pior, as demais funcionam como latrinas, inclusive a de Jacarepaguá, onde está o Parque Olímpico.

Simplesmente pelos mais variados motivos, desde perda dos recursos até a simples falta de vontade de fazer o combinado na matriz de responsabilidade olímpica, não aconteceu praticamente nada em relação à recuperação do sistema lagunar local, que continua em agonia e liberando quantidades monstruosas de metano e gás sulfídrico dia e noite, o ano inteiro.
Lagoa da Tijuca em estado terminal. Imagem cedida pelo entrevistado.
IHU On-Line – Como os governos do Rio têm se pronunciado diante das críticas feitas à situação ambiental do estado e, especialmente, da cidade do Rio?

Mario Moscatelli – A maioria das autoridades, principalmente o senhor prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, vivem numa outra realidade, diferente da realidade na qual eu trabalho. Caso as autoridades brasileiras fossem sérias, deveriam ter trabalhado sério no dia seguinte da escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas, fato que não ocorreu mesmo com todo meu trabalho de denúncias e alertas nas mídias nacional e internacional.

Simplesmente no caso da baía e dos rios que chegam podres na mesma, quem teve tempo e dinheiro, não teve vontade de fazer. No caso das lagoas, tinha-se projeto, dinheiro e tempo, mas problemas de natureza técnica e legal impediram a realização das obras. Destaca-se que os rios que chegam ao sistema lagunar deveriam ter sido recuperados pela prefeitura do Rio de Janeiro que, pelos mais variados motivos, simplesmente “chutou” a responsabilidade para algum lugar.

IHU On-Line – A situação ambiental do Rio, especialmente nos locais ou nas proximidades em que estão acontecendo as competições, está chamando atenção dos atletas e da população em geral? O que tem se comentado sobre a situação ambiental?

Mario Moscatelli – Parece que sim. Há inclusive perigo de as pessoas contraírem doença de veiculação hídrica não apenas devido a minhas denúncias fotográficas, mas também conforme indicam os estudos desenvolvidos por microbiologistas no Brasil e fora dele.

IHU On-Line – Que avaliação fez da abertura das Olímpiadas e do discurso brasileiro sobre a preservação ambiental?

Mario Moscatelli – Uma hipocrisia artística do tipo “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, vinda principalmente do Rio de Janeiro, onde as autoridades brasileiras se esmeraram em não cumprir praticamente nada no quesito ambiental. A mensagem para o mundo foi de pura e criminosa hipocrisia, fato que para o ambiente está pouco importando, pois continua sendo utilizado como latrina e lata de lixo.

Destaco que desde sábado passado o mau cheiro tomou conta do Parque Olímpico, fruto do despejo de esgoto dos rios que circundam o parque. Exemplo típico high tech do modelo pão e circo do século XXI.

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

Mario Moscatelli – O Brasil como país do século XXI continua lidando com os recursos naturais como uma colônia do século XVII, onde o objetivo é explorar à exaustão um ou vários recursos visando obter o máximo de retorno econômico no menor espaço de tempo, no que eu caracterizo como a cultura do pau-brasil, isto é, usar até acabar. A classe política é produto dessa cultura e é reflexo da pouca importância que a sociedade dá também para o assunto.

Portanto, se nem com as Olimpíadas conseguimos que as autoridades brasileiras trabalhassem direito a questão ambiental, infelizmente minhas previsões para o futuro próximo são bastante negativas.

Uma desumanidade gritante: a “pena de morte” na Saúde Pública
Adital
Por Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
No final de maio de 2015, no artigo “Falta de vagas em UTIs: “pena de morte” para trabalhadores” (leia o artigo na internet), escrevia: “A Saúde Pública encontra-se em estado de descalabro total. É um caos generalizado. É uma situação de calamidade, que clama por justiça diante de Deus. A omissão de socorro por falta de vaga em UTIs é uma realidade de todo dia”.

Infelizmente, essa realidade não mudou, continua a mesma. A “pena de morte” na Saúde Pública é uma desumanidade gritante.

Entre os muitos casos que poderiam ser lembrados, cito um dos últimos: a morte de Wiliam Pereira da Silva, no Centro de Atendimento Integral à Saúde (Cais) do Setor Campinas.

Chegando ao Cais, o repórter de O Popular pergunta: “- O senhor Willian Pereira da Silva está aqui? – Estava! – Ele já foi transferido? – Não. Acabou de morrer! Willian tinha 65 anos. Morreu às 12:30h de 28 de junho, seis dias depois de ser internado às pressas (reparem: seis dias depois de ser internado às pressas!) no Cais do Setor Campinas, em Goiânia. Uma enfermeira do pronto-socorro confirmou a morte no exato momento em que conversava com a reportagem de O Popular. Ele teve parada cardiorrespiratória antes de ser transferido a uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Não suportou mais o martírio (reparem: o martírio!). Médicos relatam que pacientes são obrigados a aguardar até 10 dias para conseguir um leito de UTI pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Goiânia, mesmo com o aumento de vagas no Estado”. Que iniquidade!

“Durante uma semana, entre o final de junho e o começo de julho, O Popular acompanhou link disponibilizado pela Prefeitura em seu site que mostra em tempo real a fila por uma vaga de UTI pelo SUS, a origem dos pacientes na espera e o número de vagas liberadas nas 24 horas que antecedem a consulta ao site. Em média, a fila conta com 52 pessoas de 10 cidades diferentes e 18 vagas de UTI foram liberadas a cada 24 horas. Ou seja, em média, os pacientes nesta fila aguardaram quase 3 dias para conseguir uma vaga” (http://www.opopular.com.br/editorias/vida-urbana/levantamento-em-site-da-prefeitura-mostra-espera-de-3-dias-em-m%C3%A9dia-por-vaga-na-uti-1.1115249).

Segundo a Lei municipal nº 9.756 de 19 de março de 2016, o site da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia tem a obrigação de divulgar a quantidade de pacientes que aguardam por UTI. A Lei visa dar maior transparência ao processo de regulação das vagas de UTI na capital para a população.

Ora, dar maior transparência, divulgando a quantidade de pessoas que aguardam por UTI, não resolve o problema. Ele só será resolvido com o atendimento imediato a todos e todas (crianças, jovens, adultos e idosos) que precisam de UTI. Esse atendimento imediato é obrigação do Poder Público (Federal, Estadual e Municipal), mesmo que seja a pagamento. Quando um médico especialista encaminha um paciente para ser internado na UTI, quer dizer que o caso é urgente e não pode esperar. A demora na internação é crime de omissão de socorro, é “pena de morte” decretada. O Poder Público deve ser processado, julgado e condenado. A questão das vagas é um problema do Poder Público e não do paciente. Para os que podem pagar sempre tem vagas!

Conforme dizia no artigo citado: “Na Saúde Pública, além do grave problema da falta de vagas em UTIs, existem muitos outros problemas como a falta de estrutura física adequada, a falta de material básico para um atendimento digno, o descaso para com os pacientes, o atendimento precário e, muitas vezes, a longa demora para consegui-lo”.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, do “golpista interino” Michel Temer, ao invés de pensar em privatizar a Saúde, criando o chamado “Plano de Saúde Popular” (mais acessível, com custo e cobertura menor), deveria assumir suas obrigações constitucionais e lembrar que saúde de qualidade é direito de todo(a) cidadão(ã) e obrigação do Estado.

Enfim, o direito à saúde, que é o direito à vida, deve ser sempre prioritário. O que precisa ser mudada – em nível federal, estadual e municipal – é a política de Saúde Pública (e a política em geral), que está a serviço dos interesses dos poderosos e não do povo. Uma outra política de Saúde Pública é possível e necessária! Movimentos Populares, Conselhos de Saúde e Comunidades lutemos por ela. Um SUS de qualidade para todos e para todas!

Os cristãos e cristãs lembremos: fazer Pastoral da Saúde não é somente visitar doentes nas casas e nos hospitais (embora essas visitas sejam muito importantes, como sinal concreto de irmandade e solidariedade), mas é também e sobretudo participar ativamente – como profetas e profetisas do Reino de Deus – dos Movimentos Populares, Conselhos de Saúde e outras Organizações que lutam por uma SUS de qualidade para todos e para todas.

Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano

Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção – SP)

Professor aposentado de Filosofia da UFG

E-mail: mpsassatelli@uol.com.br

Goiânia, 03 de agosto de 2016

Kritik an Kinderprostitution – in Rio während der Spiele auf Hochtouren

O espírito das Olimpíadas
Marcelo Barros
Adital
Apesar de que os jogos olímpicos só começarão na sexta feira, dia 05 de agosto, tanto o Rio de Janeiro, como todo o Brasil, já respiram o clima das olimpíadas. Já estamos recebendo delegações de diversos países e uma multidão de expectadores que vêm acompanhar os jogos e torcer pelos diversos países. Serão 19 dias de competições nos quais ocorrerão 306 tipos de jogos e provas que valem medalhas em 42 modalidades diferentes, comuns às olimpíadas. O Brasil está mergulhado em uma crise política que a maior parte da sociedade internacional identifica, cada vez mais, como golpe parlamentar. O mundo, dominado por um sistema social e econômico desigual e cruel, o sustenta através de um clima de insegurança permanente. Depois dos ataques terroristas em Nice, na França, as autoridades reforçam os esquemas de segurança nas Olimpíadas no Rio de Janeiro. E até quem viaja de avião dentro do Brasil já sente medidas mais restritivas de segurança. Apesar disso, o esporte continua dando sinais e exemplos de convivência democrática e fraterna. Nesses dias, no futebol entre Portugal e Alemanha, o jogador que fez o gol decisivo da vitória nasceu na Guiné-Bissau. E Cristiano Ronaldo dedicou a vitória a todos os imigrantes. Um sinal bom contra a xenofobia e o racismo. Quem sabe, a Europa aprende a passar da convivência nos esportes à convivência cidadã? Nos jogos olímpicos, essa vocação de paz e universalidade é fundamental.

Em toda a história da humanidade, o esporte sempre foi um espaço de relação entre diferentes povos e culturas. E a própria bandeira olímpica, formada por cinco anéis entrelaçados, representa os cinco continentes e suas cores e mostra como a unidade pode ser vivida na diversidade.

A história dos jogos olímpicos se mescla com muitas lendas. Conforme reza a tradição, já no século VIII antes de nossa era, os gregos organizavam jogos com a participação de atletas das muitas cidades independentes do país. Havia vários tipos e modalidades de jogos. Na cidade de Olímpia, de quatro em quatro anos, se realizavam os mais famosos, dedicados a Zeus, o deus supremo dos gregos. Esses costumes duraram ao menos até o domínio romano, quando imperadores cristãos consideraram esses jogos dedicados a um deus pagão como expressões de idolatria e os proibiram. Eles só foram retomados no final do século XIX. Mesmo tendo sido interrompidos em tempos de guerra, eles continuaram até agora e cumprem uma missão de integração e paz. Como nada fica alheio à conjuntura política, os próprios jogos já sofreram interferências políticas e até atentados terroristas. De todo modo, atletas e expectadores apostam na bandeira da paz e continuam a encantar o mundo com esse espetáculo de profissionalismo esportivo e cultura de paz.

Sem dúvida, já era de se esperar que grupos ligados à repressão tentassem criar um clima de terror. Espalham que os grupos de esquerda (sempre eles) tentarão fazer protestos e que as favelas (sempre o mundo dos pobres) estão cheias de africanos suspeitos e possibilidades de violência. Em 2014, a própria imprensa criou esse clima pesado e negativo com relação à Copa Mundial de Futebol. Apesar de alguns episódios de protestos, absolutamente legítimos em qualquer sociedade democrática e nesse caso muito fortemente reprimidos pela polícia, o evento da Copa do Mundo transcorreu de forma pacífica e o Brasil deu ao mundo inteiro a imagem de um país hospitaleiro e fraterno. Embora tenhamos mudado para pior e o ambiente nacional seja mais repressivo, esperamos que, ainda dessa vez, predominem a paz e a irmandade internacional. É preciso que não aceitemos entrar nesse clima de pânico e prevenção que acaba em uma espécie de guerra preventiva, tão ao gosto de todos os que vivem da violência. Sem dúvida, no mundo atual, não se pode descuidar da segurança. As Forças Armadas garantem 38 mil homens e mulheres na vigilância do Rio de Janeiro nos dias dos jogos. No entanto, é importante apostarmos na paz e no diálogo entre os povos.

Para os diversos caminhos de espiritualidade, a competição não é um valor positivo. Ela deve ser substituída pela colaboração. No entanto, nos esportes, a competição com um time adversário tem um objetivo que vai além do vencer o outro. E todos acabam aprendendo com todos. Quase todas as modalidades de esportes são treinadas em comum e os/as atletas aprendem uns com os outros a se apoiarem e se fortalecerem juntos na luta comunitária. No Novo Testamento, a imagem dos jogos foi usada pelo apóstolo Paulo para falar da nossa esperança cristã. Ele escreveu aos coríntios: “Vocês não sabem que nos estádios, todos correm, mas somente um ganha o prêmio? Todos correm para conquistar uma taça (um prêmio). Para ganhar uma coroa corruptível, os atletas se abstêm de tudo. Nós fazemos isso para alcançarmos uma coroa que é imperecível” (1 Cor 9, 24- 25).

Quantos cadáveres de jovens negros e pobres vale uma Olimpíada?
Leonardo Sakamoto
Adital
O tráfico de drogas é a maior causa de morte entre os jovens nas periferias. Mas, na maior parte das vezes, a batalha acontece longe dos olhos da mídia, que só eventualmente dá atenção ao problema. A imensa maioria dos corpos contabilizados quase sempre é de jovens, negros, pobres, que se matam na conquista de territórios para venda de drogas ou pelas leis do tráfico. Os mais abastados sentem a violência, mas o que chega neles não é nem de perto o que a xepa é obrigada a viver em seu cotidiano.

De tempos em tempos, essa violência causada pelo tráfico retorna com força ao noticiário, normalmente no momento em que ela desce o morro ou foge da periferia das grandes cidades.

Ou, agora, em que o Rio de Janeiro está prestes a sediar os Jogos Olímpicos e o mundo se pergunta se a cidade conseguirá garantir segurança aos visitantes.

Os visitantes podem ficar tranquilos. Pois as forças de segurança são tão competentes que são capazes de acertar um tiro na nuca de um suspeito no meio de um confronto armado. E, criativos, porque se justificam depois como resistência seguida de morte.

Isso quando a execução não é descarada, descarregando todo despreparo, preconceito e ódio, como no caso dos cinco jovens chacinados pela polícia em Costa Barros, Zona Norte do Rio, 111 vezes.

A verdade é que o Rio optou pelo caminho mais fácil do terrorismo de Estado ao invés de mudanças estruturais para oferecer uma Olimpíadas com ambiente pacífico.

Ninguém está defendendo o tráfico de drogas (defendo a descriminalização como parte do processo de enfraquecimento dos traficantes, mas isso é história para outro post). O que está em jogo aqui é que tipo de Estado queremos.

Atacar a estrutura do tráfico e sua sustentação econômica, o que inclui também seus pontos de venda, o comércio ilegal de armas e negócios paralelos, é uma saída. Porém, será inócua se o Estado não se fizer presente (não pela força bruta e burra, como nas UPPs) e se não houver mudanças estruturais que garantam dignidade para os moradores e outras opções de vida para os jovens que saem em um busca de um lugar no mundo todos os anos.

Porque, mais do que uma escolha pelo crime, a opção pelo tráfico é uma escolha pelo emprego e pelo reconhecimento social. Um trabalho ilegal e de extremo risco, mas em que o dinheiro entra de forma rápida. Dessa forma, o jovem pode ajudar a família, melhorar de vida, dar vazão às suas aspirações de consumo – pois não são apenas os jovens de classe média alta que querem o tênis novo que saiu na TV.

Ganhar respeito de um grupo, se impor contra a violência da polícia. E uma vez dentro desse sistema, terá que agir sob suas normas. Matando e morrendo, em uma batalha que para cada baixa, fica uma família.

Uma batalha que respinga em nós, que temos responsabilidade pelo o que está acontecendo, seja por nossa apatia, conivência, desinteresse, medo ou incompetência. A polícia e os traficantes puxam os gatilhos, mas o “cidadão de bem” é que coloca a bala na agulha.

Discute-se, em acalorados debates na TV, se o Brasil ocupará muitos pódios. Ou se nosso futebol finalmente levará um ouro olímpico. Ou, ainda, se as arenas estarão prontas a tempo ou se o transporte público dará conta do recado.

Acredito, contudo, que nossa maior vitória como sociedade seria se nenhum jovem negro e pobre tivesse que morrer em nome da tranquilidade do mundo reunido no Rio. Mas, eu sei. Isso seria sonhar alto demais.

Leonardo Sakamoto
Jornalista e doutor em Ciência Política. Professor de Jornalismo na PUC-SP

O jogo em que todos vencem
Dom Reginaldo Andrietta
Adital
Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos se aproximam. Ambos, totalizarão 28 dias de competição. O mundo todo está com seus olhares voltados para o Brasil. Os brasileiros querem, sem dúvida, conquistar muitas medalhas. No futebol, então, sonham novamente em ser campeões. Aliás, sempre queremos ser campeões.
Temos condições para isso pois temos experiências. Somos, por exemplo, campeões mundiais em desigualdade social, acidentes de trabalho, mortes por acidente de trânsito, homicídios e impunidade. Temos larga experiência em violência, corrupção e analfabetismo. Somos especialistas em péssima qualidade de educação, saúde, segurança, saneamento e transportes públicos.

Somos um dos maiores produtores e exportadores de armas do mundo. Além de sermos grandes produtores de programas de baixaria na TV, somos “top” no consumo e tráfico de entorpecentes. Nossas prisões estão entre as mais superlotadas do mundo.

Uma grande quantidade de medalhas de ouro nos fará bem, afinal, nos ajudará a esquecer a relação desses problemas com a gestão pública e que temos eleições este ano. Esqueceremos até mesmo que os devoradores de bens públicos, alguns dos quais cassados, continuam jogando no campo político.

Os cristãos não podem ficar fora desse jogo. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nos alerta para isso com sua nota sobre as eleições que ocorrerão em outubro deste ano: “se quisermos transformar o Brasil, comecemos por transformar os municípios. As eleições são um dos caminhos para atingirmos essa meta.”

Essas eleições se revestem de um significado especial para o país. Por isso, os cristãos comprometidos com a vivência da fé e todos os homens e mulheres de boa vontade são chamados a ações mais efetivas nestas eleições, estando atentos a mecanismos legais importantes.

Além das pessoas que já tiveram condenação judicial em segunda instância estarem impedidas de se apresentarem como candidatas, por estar em pleno vigor a ‘Lei da Ficha Limpa’, outra lei sancionada em setembro de 2015, passou a proibir o financiamento de campanhas por empresas e organizações sem fins lucrativos. Devolve-se, então, ao povo o protagonismo eleitoral, submetido anteriormente aos espertalhões, mancomunados com o poder econômico. Com isso, estanca-se uma das veias da corrupção.

Essas leis criaram a possibilidade de uma efetiva renovação, já que vários políticos – acostumados a usar cargos eletivos como profissão e a se beneficiarem do exercício de suas funções para proveito próprio e não como serviço ao bem público – estarão, agora, forçados a deixar a disputa eleitoral. Esta é uma importante conquista entre tantas outras para a democracia brasileira.

Essas conquistas são frutos da mobilização e da participação política dos brasileiros que, no exercício de sua cidadania, estão cada vez mais fazendo valer seu desejo de não serem representados por quem não encarne os valores éticos e o compromisso com o bem comum.

Estejamos mobilizados em função de um processo eleitoral participativo, lembrando que eleições limpas devem ser desvinculadas de interesses corporativos e não são suficientes para a vida democrática. Estamos ainda longe de sermos uma sociedade verdadeiramente democrática sobretudo no que se refere à vida econômica.

Continuemos, portanto, na luta pela democracia que acreditamos! Ela permitirá que no “jogo da vida” todos sejamos vencedores!

Jales, 22 de junho de 2016.

Dom Reginaldo Andrietta
Bispo Diocesano de Jales (SP)

Olimpíadas: mulher Cidadã do Rio tem sua casa removida no dia 08 de março
Adital
Na última terça-feira, 08 de março, Dia Internacional da Mulher, Maria da Penha, considerada símbolo da luta das mulheres do Rio de Janeiro, receberá a medalha de Mulher Cidadã da ALERJ [Assembleia Legislativa do Estado do Rio]. No entanto, este também foi o dia escolhido pela Prefeitura para demolir a sua casa, na Vila Autódromo, zona oeste da cidade.

De acordo com informações do Comitê Popular da Copa/Olimpíadas Rio de Janeiro, depois de várias semanas em alerta, a tropa de choque enviada pela Prefeitura, “de forma covarde”, fez a remoção. “Penha sempre destacou que, independente de valores, sua casa e sua comunidade não estão à venda”, assinala o movimento.

Reprodução
Nesta quarta-feira, 09, Após realizar sua mudança para a igreja local, com a família, Maria da Penha denunciou a violação de direitos humanos em uma entrevista coletiva. No mesmo dia, o prefeito do Rio, Eduardo Paes [Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB], também falou à imprensa sobre a urbanização da Vila Autódromo. “De manhã promove a remoção, à tarde fala em urbanização”, denuncia o Comitê.

“A minha casa não tem preço, a minha história não tem preço. E eu estou aqui firme e forte para continuar lutando. Acho que agora é que a luta continua para ter uma moradia dentro dessa comunidade”, afirma Maria da Penha. Assista do vídeo da moradora denunciando as violações:

https://www.facebook.com/justicaglobal/videos/1107207185977278/

Assista também ao vídeo do momento da demolição da casa de Maria da Penha pela Prefeitura:

https://www.facebook.com/vivaavilaautodromo/videos/931011850339031/

Em manifesto, os/as moradores/as da Vila Autódromo denunciam que, desde o anúncio da realização da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, no Brasil, eles se tornaram alvo de ameaças de remoção. Acomunidade está situada em zona que, com o processo de expansão da cidade, tornou-se alvo da cobiça de especuladores e grandes construtoras.

Segundo o manifesto, a ocupação da Vila Autódromo é legal, resultado de décadas de organização dos moradores para a urbanização do bairro. A Prefeitura do Rio teria mentiu ao dizer que a remoção é fundamental para os Jogos Olímpicos: o projeto vencedor de concurso internacional para o Parque Olímpico manteve a comunidade. Em mais uma tentativa, apresentou um projeto viário, alterando a rota da Transcarioca já em obras (e com várias irregularidades no licenciamento ambiental), somente para passar por cima da comunidade. “Com a mudança constante de pretextos, a Prefeitura pretende legitimar a remoção de 500 famílias, e a cessão, para o consórcio privado Odebrecht – Andrade Gutierres – Carvalho Hosken, de uma área de 1,18 milhões de m², dos quais 75% serão destinados à construção de condomínios de alta renda”.

Como alternativa à injustiça, injustificável e ilegal tentativa de remoção, a Associação de Moradores da Vila Autódromo elaborou o Plano Popular da Vila Autódromo, com a assessoria técnica de especialistas. Nos últimos meses, milhares de famílias de outras comunidades cariocas foram compulsoriamente removidas ou estão ameaçadas em nome da Copa do Mundo e das Olimpíadas: Restinga, Vila Harmonia, Largo do Campinho, Rua Domingos Lopes, Rua Quáxima, Favela do Sambódromo, Morro da Providência, Estradinha, Vila Recreio 2, Belém-Belém, Metrô Mangueira, Arroio Pavuna.


O problema em específico da exploração sexual infantil é preocupante em especial no ano de 2016, pela possibilidade de aumento do turismo sexual com os Jogos Olímpicos do Rio.

Artigos dos Bispos
As Olimpíadas
Written by
CNBB
Published:
10 August 2016
Category:
Dom Fernando Arêas Rifan
Dom Fernando Arêas Rifan

Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro são uma ocasião para nossa reflexão sobre os valores cristãos de disciplina, fraternidade, paz e reconciliação do mundo, através dos esportes.

São Paulo Apóstolo escrevendo aos Coríntios, familiarizados com os jogos olímpicos, partilhou a admiração desses povos helenos pelas proezas dos atletas nos estádios, tirando do seu exemplo lições para a nossa vida espiritual (cf. 1 Cor 9, 24-25).

A religião não é alheia ao esporte e a Igreja sempre apoiou o desporto sadio. A finalidade do verdadeiro esporte é tornar o corpo são e dócil para que paralelamente a alma possa se robustecer e enobrecer. Na alta Idade Média, a verdadeira e não a falsa que muitas vezes historiadores superficiais tentam nos impingir, houve uma florescência ideal do verdadeiro desporto cristão. O Barão Pedro de Coubertin, renovador dos Jogos Olímpicos da atualidade, cuja iniciativa foi encorajada pelo Papa São Pio X, assim escreve: “A Idade Média conheceu um espírito desportivo de intensidade e vigor provavelmente superiores aos que conheceu a própria antiguidade grega”. Ele atribui isso à influência primordial da religião que criou uma atmosfera das mais favoráveis à eclosão e desenvolvimento do espírito cavalheiresco que consiste na “lealdade praticada sem hesitação” (Pierre de Coubertin, La Pédagogie Sportive). O cristianismo tem, pois, grande influência no jogo limpo, no “fair-play”.

“As Olimpíadas são o maior acontecimento esportivo mundial, nas quais participam atletas de muitas nações, revestindo-se assim de um alto valor simbólico. É por isso que a Igreja católica as olha com uma simpatia e atenção particulares”. Ele convidou os católicos a rezar para que “segundo a vontade de Deus, os Jogos de Londres sejam uma verdadeira experiência de fraternidade entre os povos da Terra”. “Eu dirijo minhas saudações aos organizadores, aos atletas e aos expectadores, e eu rezo para que, no espírito da trégua olímpica, a boa vontade gerada por este acontecimento esportivo internacional traga frutos, promovendo a paz e a reconciliação no mundo” (Bento XVI, no Ângelus de 22/7/2012, falando sobre os Jogos Olímpicos de Londres).

“As potencialidades do fenômeno desportivo tornam-no instrumento significativo para o desenvolvimento global da pessoa e fator muito útil para a construção de uma sociedade mais humana. O sentido de fraternidade, a magnanimidade, a honestidade e o respeito pelo corpo — sem dúvida virtudes indispensáveis para todos os bons atletas — contribuem para a edificação de uma sociedade civil na qual o ‘agonismo’ substitua o antagonismo, o encontro prevaleça sobre a competição e o confronto leal sobre a contraposição vingativa. Entendido desta maneira, o desporto não é um fim, mas um meio; pode tornar-se veículo de civilização e distração genuína, estimulando a pessoa a pôr em campo o melhor de si e a evitar o que pode ser perigoso ou de grave prejuízo para si mesmo e para os outros” (Bento XVI, por ocasião do campeonato europeu de futebol, citando São João Paulo II).

Cardeal Orani Tempesta abençoa jogos Rio 2016
Written by
CNBB
Published:
05 August 2016
Category:
Notícias
No santuário do Cristo Redentor, arcebispo acolheu o símbolo dos Jogos Olímpicos

O último dia de revezamento da tocha olímpica começou no santuário do Cristo Redentor, com a acolhida do arcebispo local, cardeal Orani João Tempesta. Aos pés do monumento mais conhecido do país, dom Orani abençoou a cidade e os Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

Na acolhida, o arcebispo disse que carregava em suas palavras “os sonhos, as esperanças e as vozes de cada ser humano que vê nos Jogos Olímpicos um tempo para experimentar um mundo diferente e, mais do que isso, testemunhar que este mundo é possível, mesmo que a realidade de nosso tempo nos queira indicar o contrário”.

Dom Orani fez uma reflexão sobre o esporte, que “abre muitas portas para Deus” na contemplação do corpo humano em sua complexidade, na compreensão do significado da força de vontade e empenho, no aprendizado e vivência da dimensão do sacrifício e a colaboração. Ao lembrar dos Jogos Paralímpicos, ressaltou a superação dos limites inerentes à carreira destes atletas. Também salientou o legado esportivo nas ações em favor da ressocialização e reintegração de pessoas “marcadas por dependência ou marginalização”. “O esporte, enfim, é uma aguda interpelação sobre o tipo de mundo que estamos construindo, algumas vezes tão bélico, tão intolerante e desejoso de impor, através da violência, opiniões ou domínios”, disse.

Ao citar a mensagem do papa ao povo brasileiro por ocasião das Olimpíadas e das últimas edições da Jornada Mundial da Juventude (Rio 2013 e Cracóvia 2016), o cardeal destacou o desejo de “uma civilização onde reine a solidariedade” e da realização da busca da paz. “Por isso que, com alegria e esperança, acolho, aos pés do Redentor, em nome de todos os cariocas a tocha Olímpica”, afirmou.

Diante da chama olímpica, cardeal Orani lembrou das funções do fogo de aquecer, purificar e iluminar e fez uma prece. “Peço, portanto, ao Deus de Misericórdia que permita a pessoas e povos se deixarem impactar pela beleza olímpica e, com isso, aquecerem em si o desejo de paz e fraternidade. Que a união em torno dos esportes nos purifique dos sentimentos de violência, aniquilamento, extremismo e tudo mais que destrói a vida. Que, enfim, sejamos todos iluminados rumo à efetiva construção de um mundo de paz, justiça, concórdia e fraternidade”, rogou.

Depois do Santuário Cristo Redentor, o revezamento da tocha seguiu por alguns bairros da Zona Sul da cidade, como Botafogo, Humaitá, Jardim Botânico, Gávea, São Conrado, Leblon, Ipanema, Copacabana, Urca, Botafogo e Flamengo.

Igreja no Brasil presente nas Olimpíadas 2016
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CNBB
Published:
04 August 2016
Category:
Notícias
Projetos marcam a participação eclesial no maior evento esportivo do mundo

Promoção de valores humanos, atendimento religioso na Vila Olímpica e desenvolvimento de projetos sociais são algumas das principais iniciativas da Igreja no Brasil para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016, que acontecerão de 5 a 21 de agosto e de 7 a 18 de setembro, respectivamente. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), a Pastoral do Turismo (Pastur) e as arquidioceses que recebem os jogos, entre elas a da cidade-sede das Olimpíadas, Rio de Janeiro, realizam ações de evangelização durante o evento.

“Sabemos que o mundo dos esportes é um campo, ao mesmo tempo, fértil e aberto para a evangelização. O Rio de Janeiro vai receber esses grandes eventos esportivos e a arquidiocese não pode se omitir diante da responsabilidade de fazer com que o Evangelho seja anunciado e os legados humanos e sociais se destaquem”, afirma o arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta.

Ações pastorais e sociais

A arquidiocese do Rio é responsável pela evangelização na cidade-sede dos jogos. Na Vila Olímpica, local que recebe as delegações, há uma “capelania” inter-religiosa para atendimento dos atletas. Um sacerdote foi nomeado para a ocasião. Nas paróquias próximas à Vila, as pessoas são acolhidas e podem participar de celebrações de missas em diferentes idiomas.

Alguns símbolos fortalecem os “laços entre a evangelização e o mundo dos esportes”, como as bandeiras Olímpica e Paraolímpica, abençoadas pelo papa Francisco em sua visita ao Brasil, em 2013, e a Cruz Olímpica e o ícone da Paz, objetos que marcam a presença da Igreja nos grandes eventos esportivos mundiais.

Além disso, duas iniciativas representam o caráter social da ação da Igreja nos Jogos Rio 2016: “Rio se Move” e “100 dias de Paz”.

Em parceria com a CNBB, a CRB e entidades alemãs, o projeto “Rio se Move” pretende dar maior visibilidade a iniciativas existentes na Cáritas arquidiocesana em prol dos que sofrem de exclusão social presente na dinâmica dos grandes eventos, assim como às ações da Pastoral do Esporte.

Por sua vez, a iniciativa “100 dias de paz”, que começou no dia 15 de junho e prosseguirá durante cinquenta dias após as Paraolimpíadas, engloba diversas atividades a serem realizadas antes, durante e depois dos Jogos Olímpicos, com a finalidade de atingir jovens, atletas e o público em geral, levando os valores cristãos católicos ao esporte. Os 100 dias de paz fundamentam-se na Trégua Olímpica, criada no século VIII a.C, com o objetivo de estabelecer a paz entre os países em conflito.

Desafios e esperanças

Diante do atual contexto de crise no Brasil e em particular no estado do Rio de Janeiro, cardeal Orani Tempesta acredita que a população do Rio pode reencontrar e reanimar as esperanças com a realização dos jogos na cidade. “A par dos legados econômicos e de infraestrutura, que almejamos que se convertam em benefícios para a nossa sofrida sociedade, há valores perenes ligados às Olimpíadas que podem e devem ser cultivados, pois contribuem para a promoção das pessoas”, disse durante reunião do Comitê Rio 2016 com os Líderes Religiosos.

“Em meio à nossa sofrida realidade atual, podemos afirmar que as Olimpíadas são, realmente, um marco de esperança, que deve prosseguir adiante. Uma esperança que não se apresenta inatingível, mas aponta para o futuro, pois parte de cada um de nós, quando buscamos trabalhar pela ‘civilização do amor’”, falou ao citar um trecho da encíclica do papa Francisco Laudato Si’ – sobre o cuidado da casa comum.

“Este é o nosso sonho olímpico”

A Pastoral do Turismo no Brasil lançou Campanha “Este é o nosso sonho olímpico”, com valores humanos e cristãos que não podem faltar para que aquela que é considerada “a maior festa do esporte mundial” seja para todos e todas.

A Campanha acontece por meio de publicações semanais nas redes sociais. “Trata-se de uma ‘palavra’, uma presença da Igreja num momento importante como este. Nossos limites nos possibilitam apenas uma ação assim. Mas faremos dela um grito, um despertar, um vírus do bem nas redes sociais. Esperamos que aqueles que têm acesso, que vejam, ao menos uma vez, os ‘memes’, reflita um pouco, saia da lógica do mercado e do mundo para pensar, efetivamente, em jogos saudáveis sob todos os aspectos”, explica o coordenador nacional da Pastoral, padre Manoel de Oliveira Filho.

A Campanha alerta para questões como a proteção e cuidado com a vida e o meio ambiente e pretende, ainda, favorecer o diálogo entre as diferentes culturas presentes no evento mundial.

“Jogue a Favor da Vida”

A partir do modelo de trabalho desenvolvido na Copa do Mundo no Brasil 2014 contra a prática do turismo sexual, a Rede Internacional das Consagradas contra o Tráfico Humano Talitha Kum e a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) seguem com a Campanha “Jogue a Favor da Vida”. De acordo com a organização, os Jogos Olímpicos são oportunidades de lazer, cultura e emprego temporário, mas, também, ocasião para intensificar o turismo sexual, com ação de quadrilhas que se organizam para aliciar, explorar e traficar pessoas.

A Campanha, que tem como lema “Exploração sexual não é turismo, é crime”, busca prevenir os riscos do turismo sexual, alertando os turistas que irão ao Rio de Janeiro, principalmente, para que não paguem por prestações sexuais de pessoas que podem estar envolvidas no tráfico humano.

A proposta é mobilizar o maior número de participantes nas mídias sociais, levando o debate para dentro das escolas e com os turistas que virão para o Brasil.

Viva a solidariedade

Com a finalidade de dar continuidade às ações do projeto “Rio se move” e com o objetivo de realizar pelo país atividades socioeducativas, esportivas e de solidariedade, a CNBB, a CRB e a Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (Anec) apresentaram o projeto “Viva a Solidariedade!”. A iniciativa levará as ações do projeto iniciado na arquidiocese do Rio de Janeiro para o âmbito nacional. Para isso, propõe às instituições educacionais e eclesiais a realização de ideias que visem contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e solidária, promovendo, por meio do espírito olímpico, momentos de interação entre a família, escola e comunidade.

Para participar, basta inscrever a instituição que deseja fazer parte e cadastrar a ação solidária no site do projeto. Uma assessoria técnica dos organizadores vai acompanhar essa ação e posteriormente dar ênfase ao trabalho, divulgando-o.

Saiba mais sobre o #VivaaSolidariedade no site: http://anec.org.br/vivasolidariedade/

“Podemos pensar de maneira diferente, mas temos de conversar para o bem do Brasil”, afirma dom Leonardo
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CNBB
Published:
30 June 2016
Category:
Notícias
Em entrevista à Rádio Vaticano, secretário geral da CNBB fala sobre a crise política vivida pelo Brasil

O bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Steiner, participou de entrevista na Rádio Vaticano, em Roma. Em passagem pela cidade, o bispo conversou com a equipe do Programa “Em Romaria”, da redação brasileira da emissora.

Entre os assuntos abordados, dom Leonardo falou da conjuntura nacional, com destaque para a crise da democracia, o papel da CNBB, os Jogos Olímpicos Rio 2016, o vírus Zika e a “cultura do estupro”.

Sobre a vida política do Brasil, o bispo disse ser preciso que os governantes deem mais atenção aos interesses da população, trabalhando pelo bem de todos. “Temos um Congresso Nacional que preocupa, dado aos interesses de determinados grupos e partidos”, afirmou.

Dom Leonado citou a nota aprovada pelo Conselho Permanente da CNBB, no início deste mês, que fala da PEC 015 sobre a demarcação e validação das terras indígenas pelo Congresso Nacional e sobre a maioridade penal. “No momento atual, de fragilidade, os deputados e senadores retomam esses assuntos que são preocupantes. A CNBB manifestou-se de novo contrária a essas mudanças”, acrescentou.

Dom Leonardo disse, ainda, que a CNBB se preocupa muito com a ética na política. Sentimos que o interesse dos partidos se sobrepõe ao da sociedade brasileira”, sublinhou.

“Nós temos insistido no combate à corrupção e também na questão do diálogo. Não se pode parar de dialogar. Nós podemos ter pontos divergentes, pensar de maneira diferente, mas temos de conversar para o bem do Brasil. Essa tem sido nossa insistência”,disse.

Para dom Leonardo, a discussão sobre política é necessária. “A discussão nos leva a uma maturação maior. Sem isso nós não cresceremos, não teremos um Brasil melhor”, sugere.

Olimpíadas

A respeito dos jogos olímpicos, dom Leonardo lembrou que o evento se caracteriza pelo elemento da paz. Disse, ainda, que o Rio não é o único estado com dificuldades financeiras e que há outros em situação semelhante. “Mas é preciso olhar que temos um compromisso com o mundo, com tantas delegações, de proporcionarmos boas olimpíadas”, completou.

Com relação ao Zika, dom Leonardo falou sobre o empenho da Igreja no combate ao mosquito Aedes Aegypti.

Violência contra a mulher

Em relação a fatos recentes sobre abusos sexuais envolvendo menores, o bispo alertou ser preciso cada vez mais defender a vida e a dignidade da pessoa. “Toda a questão do estupro, do abuso sexual, tem a ver com uma decadência da nossa época da compreensão da pessoa e, por isso, também, uma compreensão decadente da sexualidade humana: nós não somos animais”, pontuou.

Brasilien – die Pastoral das Favelas(Slum-Seelsorge) in der Erzdiözese Rio de Janeiro, Pastoralleiter Monsenhor Luis Antonio Pereira Lopes vor der Gemeindekirche in Jardim America. Katholische Kirche und gravierende Menschenrechtsverletzungen in Brasilien. **

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Monsenhor Lopes beim Website-Interview 2012.

Laut Monsenhor Lopes dauert der Terror der Banditenkommandos gegen die Favelabewohner weiter an.

Die Slums von Rio de Janeiro vor Fußball-WM und Olympischen Sommerspielen

In der Millionenstadt Rio de Janeiro hat ein weiteres Blutbad, bei dem mindestens acht junge Menschen ermordet wurden, jüngste Analysen der Kirche über gravierende Menschenrechtsverletzungen in den über eintausend Elends-und Armenvierteln bestätigt. Die Slum-Seelsorge wirft den Regierenden Brasiliens vor, viele Milliarden für die Vorbereitung von Fußball-WM und Olympischen Sommerspielen auszugeben, statt für die Lösung dringlichster sozialer Probleme.

„Die Herrschaft des organisierten Verbrechens über die Slums bedeutet, daß die Bewohner wie in einem System der Sklaverei, der Versklavung leben. Daß der Staat diese Menschen allein läßt, kostet soviele Menschenleben“, sagt Priester Luis Antonio Lopes, der die Slum-Seelsorge der Erzdiözese von Rio leitet und zudem Gemeindepfarrer in einer Peripherie-Region ist. „Das organisierte Verbrechen herrscht ungehindert dort, wo es keine sogenannten Befriedungseinheiten der Polizei gibt, also in den allermeisten Favelas. Und selbst in einigen Slums, wo der Staat angesichts der herannahenden Sportevents solche Befriedungseinheiten stationierte, geschehen weiter Morde.“

Anfang September 2012 verübte ein Banditenkommando just im Seelsorgebereich von Padre Lopes  ein Blutbad an mindestens acht jungen Menschen, deren Leichen mit grauenhaften Folterspuren an der Stadtautobahn gefunden wurden. Entsprechend empört ist die brasilianische Öffentlichkeit, zumal die meisten dieser Blutbäder den Medien garnicht bekannt werden. Denn in die Parallelstaaten der Slums, wie es Soziologen nennen, wagt sich kaum jemand hinein, der dort nicht gezwungenermaßen hausen muß. Padre Lopes von der Slum-Seelsorge macht folgende Rechnung auf:

“Alle mehr als eintausend Favelas von Rio de Janeiro haben gravierende Gewaltprobleme – der Staat müßte dort etwa 200000 Sicherheitsbeamte stationieren – tut es aber nicht. Wie die Investitionen für Fußball-WM und Olympische Sommerspiele in Rio zeigen, sind Mittel durchaus vorhanden – aber eben nicht für soziale Zwecke, nicht für menschenwürdige Behausungen. Wie kann man angesichts so vieler drängender Probleme soviel Geld für Sportevents ausgeben, die nur ganz kurze Zeit dauern!“

Ein mehrstündiger Gang durch Slums an der Seite eines Priesters, der von den Banditenkommandos die nötige Zutrittserlaubnis hat, führt zu den Brennpunkten der barbarischen, bedrückenden Situation. Zu den Verhaltensregeln zählt: Nicht fotografieren, keine Mikrophonaufnahmen, weil sonst sofortige Ermordung drohte. So tun, als ob man die überall lauernden bewaffneten Banditen garnicht bemerkt und fast durchweg ein angeregtes Gespräch mit dem Priester über Religiöses führt. Elendskaten, Müll und Gestank, Unmengen von geraubten und zu Schrott gefahrenen Autos, sadistischer Gangsta-Rap in Hardrock-Lautstärke rund um die Uhr.

Eine Mitarbeiterin des Priesters berichtet über zahlreiche willkürliche Morde und Folterungen, teils direkt vor ihrer Katentür. Wer sich von den Slumbewohnern weigert, Raubgut oder Drogen zu transportieren, wird sofort erschossen – wer des Kontakts mit der Polizei verdächtigt wird, ebenfalls. Indessen – oft innerhalb von nur Monaten sind die Killer ebenfalls tot – kamen beispielsweise bei Schießereien zwischen rivalisierenden Banditenkommandos um. Und schon werden andere die neuen Slum-Herrscher. Für Padre Lopes von der Slum-Seelsorge handelt es sich  bei jenen jungen Gangstern um Brasilianer, denen Staat und Gesellschaft keinerlei Chance gaben, sich zu bilden und zu entwickeln. Laut neuesten Studien ist beispielsweise der Handel mit harten Billig-Drogen wie Crack und Kokain landesweit der einfachste Weg für junge Menschen, um an Geld für schicke Markenklamotten und andere attraktive Dinge zu kommen.

“Wir haben jetzt bei der UNO und bei Amnesty International Anzeige erstattet, weil wegen der Fußball-WM gleich drei Stadtautobahnen durch Favelas gezogen werden, Zehntausende von Slumbewohnern ihre Behausung verlieren.“

Brasiliens Menschenrechtsministerin Maria do Rosario räumte wegen des neuesten Blutbads von Rio ein, daß bei den Heranwachsenden des Landes Gewalt die Haupt-Todesursache sei. Die katholische Kirche hatte deshalb bereits vor Jahren eine „Kampagne gegen Gewalt und gegen die Ausrottung von Jugendlichen“ gestartet. Priester Geraldo Nascimento zählt zu den Wortführern, den Organisatoren.

“Wir wollen, daß die ganze Welt sieht, was hier vor sich geht. Der brasilianische Polizeiapparat dient nicht dem Verteidigen der Bevölkerung – alle Arten von  Verbrechen existieren weiter, weil die Polizei verwickelt ist.“

Derartige neofeudale Machtstrukturen existieren in den Slums von Rio seit Jahrzehnten – der dokumentarische Spielfilm “Tropa de Elite 2? zeigt auch, wie politisch einflußreich das organisierte Verbrechen ist.

Die Situation u.a. in den Rio-Slums 2012 zeigt anschaulich, daß von ernsthafter Bekämpfung  der Drogenmafia keine Rede sein kann – zumal die Wachstumsbranche Crack weiter stark im Aufwind ist. Daher wird viel offizielle Propaganda über Drogenbekämpfung nach Europa durchgeschaltet.

Weil die Herrschaft des organisierten Verbrechens über die Slumbewohner von den zuständigen Autoritäten zugelassen wird, stößt auch die Seelsorge der katholische Kirche, deren Sozial-und Politisierungsarbeit auf immense, für durchschnittlich über Brasilien informierte Mitteleuropäer schwerlich vorstellbare Schwierigkeiten.

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Die Kirche – von den Gemeindemitgliedern in gemeinsamer Arbeit errichtet.

http://www.ila-web.de/brasilientexte/slumdiktatur.htm

Geistliche, kirchliche Menschenrechtsaktivisten wirken in den Favelas in permanenter Lebensgefahr, erleben tagtäglich bizarre, empörende Situationen. Das in mitteleuropäischen Ländern wie Deutschland u.a. vom neoliberalen Mainstream gezeichnete Bild der katholischen Kirche ist angesichts ihrer Menschenrechtsarbeit daher entsprechend.

http://www.matrizsantarosadelima.com.br/

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http://www.hart-brasilientexte.de/2009/11/05/rio-de-janeiros-bischofliche-slum-seelsorge-und-die-menschenrechtslage-in-der-olympia-stadt/

Lage in Sao Paulo:  http://www.hart-brasilientexte.de/2011/11/27/zdf-adveniat-gottesdienst-in-favela-cachoeirinha-von-sao-paulo-2011-brasiliens-kontraste-fotoserie/

Luis Antonio Pereira Lopes, Leiter der Slum-Pastoral in der Erzdiözese Rio de Janeiro. Gesichter Brasiliens. **

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”Die Slumbewohner wurden ihrer Basis-Menschenrechte beraubt – die tatsächlichen Opferzahlen werden verschleiert. In den letzten zehn Jahren hat sich die Zahl der Slums in Rio verdoppelt, liegt jetzt offiziell bei 1043. Ein Drittel der Rio-Bewohner haust in Favelas. Die jüngsten Ereignisse haben das Desaster der Sicherheits-und Menschenrechtspolitik offenbart.

http://www.hart-brasilientexte.de/2009/09/03/protest-gegen-massaker-an-dreisig-menschen-bei-rio-de-janeiro-durch-todesschwadron-militarpolizisten-beteiligt-fotoserie/

Damit die Favela-Bewohner überleben können, müssen sie sich mit den Banditen gut stellen, eine Politik der guten Nachbarschaft pflegen, wie wir es nennen. Befehle,  Regeln müssen unbedingt eingehalten werden. Jene jungen Gangster sind Brasilianer, denen man keinerlei Chance gab, sich persönlich zu entwickeln und zu bilden. Das organisierte Verbrechen bietet indessen Pseudo-Chancen an, alles was ein junger Mensch möchte. Dazu zählt schicke Kleidung, ein tolles Auto –  doch der Preis dafür ist eben das eigene Leben. All diese jungen Banditen leben nur kurz, sterben sehr früh. Doch bei solchen Gefechten wie jetzt werden auch viele unbeteiligte, völlig unschuldige Slumbewohner getötet. In den Slums fehlt der Staat, fehlen Institutionen, die den Kindern ethische Prinzipien beibringen. Auch die Kirche müßte dort viel präsenter sein. Denn wer erzieht denn die Jugend dort, wenn deren Eltern abwesend sind, außerhalb des Slums irgendwo Geld verdienen müssen ? Jene, die dort ständig präsent sind –  also die Banditen. Sie sind gerissen und wissen gut, mit den Kindern umzugehen, brauchen diese ja künftig als Arbeitskräfte, damit die kriminellen Geschäfte weiterlaufen können. Aus all diesen Gründen hat die Bischofskonferenz ihre diesjährige Brüderlichkeitskampagne der öffentlichen Sicherheit gewidmet. Und die gespannte Lage in Rio de Janeiro beweist, daß die Kirche ein hoch aktuelles Thema aufgriff, das den Menschen auf den Nägeln brennt.”

http://www.hart-brasilientexte.de/2009/10/20/mein-sohn-war-ein-krieger-sagt-mutter-des-abgeschossenen-piloten-von-rio-de-janeiro-neue-gefechte/

http://www.hart-brasilientexte.de/2009/10/17/krieg-auf-dem-morro-dos-macacos-von-rio-de-janeiro-youtube-anklicken-bope-im-einsatz/

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Mitarbeiter der bischöflichen Slum-Pastoral von Rio de Janeiro

Banditenkommandos von Rio de Janeiro nutzen immer wieder Kirchtürme, sogar die Wallfahrtskirche im Stadtteil Penha als Beobachtungsstützpunkte der Polizeibewegungen.

Brasilien: Die Aktualität von “Tropa de Elite” – Wem nützen Banditendiktatur und immer mehr No-Go-Areas? José Murilo de Carvalho, Alba Zaluar, Luiz Eduardo Soares. Ersticken von Protestpotential, verhinderte Politisierung. **

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 Brasilianische Sozialwissenschaftler analysieren die bürgerliche Demokratie des Tropenlandes  und spezielle Menschenrechtsverletzungen.

Die rasch wachsenden Slums der brasilianischen Millionenstädte sind nach Darstellung von Sozialwissenschaftlern und Sicherheitsexperten regelrechte Parallel-Staaten, No-Go-Areas, in denen hochbewaffnete Banditenkommandos des organisierten Verbrechens neofeudal die Normen bestimmen, die Bevölkerung terrorisieren. Dies habe verheerende Auswirkungen auf die Sozialbeziehungen der Slumbewohner und paralysiere Protestpotential. In den Diktaturjahrzehnten habe das Militär die Ghettos “niedergehalten “ – heute habe das organisierte Verbrechen diese Rolle übernommen. Immer wieder wird daher die Frage gestellt, wem derartige Slumstrukturen am meisten nützen.

Brasiliens wichtigster Befreiungstheologe Frei Betto über die Präsenz hochbewaffneter Banditen in Slums von Sao Paulo:

“Ao percorrer a favela, por becos e vielas, avistei a barreira humana formada pelo pessoal do narcotráfico, que em plena tarde de uma sexta-feira exibia armas.” (2012)

„Die Tyrannei des organisierten Verbrechens verhindert jegliche demokratische Partizipation der Slumbewohner, das Protestpotential der Armenviertel wird von den lokalen Despoten völlig erstickt”, analysiert Luiz Eduardo Soares, einer der renommiertesten brasilianischen Sozialwissenschaftler, der das Bestseller-Buch zum sozialkritischen Berlinale-Film „Tropa de Elite” mitverfaßt hatte, im Website-Exklusivinterview.

„Das Interessante ist: Beim Übergang von der Militärdiktatur zur Demokratie am Anfang der achtziger Jahre wurden in den Slums geradezu massenhaft Verbände, Organisationen, Bürgerrechtsgruppen gebildet, erlebten die Sozialbewegungen einen enormen Aufschwung. Doch dann haben die schwerbewaffneten Verbrecherkommandos dies alles wieder zunichte gemacht. Sie kontrollieren ihre Territorien mit brutaler Gewalt –  und in Politik und Wirtschaft kann es durchaus Leute geben, die das begrüßen. Solche Zustände gelten für Rio de Janeiro und alle anderen brasilianischen Städte –  überall wird eine Selbstorganisation der Armen und Verelendeten blockiert.”

Die nordöstliche Küstenstadt Fortaleza hat annähernd so viele Einwohner wie Berlin und belegt ebenfalls die These von Sozialwissenschaftler Soares. In den riesigen Slums der Peripherie haben die Bewohner geradezu panische Angst vor Greueltaten, Gewaltexzessen marodierender Banditenkommandos. Allein an den Weihnachtsfeiertagen von 2007 wurden mehr als einhundert Menschen ermordet, waren selbst Heiligabend überall Schüsse zu hören. Die meisten Geschäfte sind sogar tagsüber, während der Öffnungszeiten, mit Stahlgittern verriegelt. Abends und nachts sind die meisten Straßen und Gassen der dichtbesiedelten Peripherie wie ausgestorben, haben sich viele Menschen in ihren Katen hinter Gitterstäben und dem überall frei verkauften NATO-Stacheldraht verbarrikadiert. Gesellschaftliche Apathie, Mißtrauen und Entsolidarisierung sind in diesen No-Go-Areas deutlich zu spüren. ”Das ist eine biblische Plage “ solche Gewalt wird bereits in der Heiligen Schrift beschrieben”, betont Ricardo Mendes, Pastor einer der vielen Sekten in den Slums von Fortaleza. „Hinter dieser Gewalt steckt der Satan –  ohne das Evangelium hätten wir hier die pure Barbarei.”

Die Anthropologin Alba Zaluar, eine der führenden Gewalt-Forscherinnen Brasiliens, argumentiert indessen ähnlich wie der Soziologe Soares: ”Die Slum-Assoziationen waren selbst in der Diktaturzeit sozusagen die Seele der Ghettos, hatten eine enorme Bedeutung für das kulturelle, soziale Leben, für den Karneval und selbst für den Fußball. Doch dann intervenierten die Verbrecherorganisationen und haben diese Strukturen zerschlagen. Heute können die Slumbewohner nicht mehr gegen die Verletzung ihrer Bürgerrechte protestieren –  denn sie leben in einer brutalen Diktatur. Die Slums sind heute voller psychisch gestörter Menschen –  dort herrschen soziales Chaos und Verwahrlosung.”

José Murilo de Carvalho, Mitglied der brasilianischen Dichterakademie und Lehrstuhlinhaber für Geschichte an der Bundesuniversität von Rio de Janeiro, schlußfolgert, daß diese bedrückende Lage indessen systemstabilisierend wirkt. ”Die Existenz des organisierten Verbrechens in den Slums blockiert die Politisierung der Bewohner, hält sie ruhig, verhindert eine Rebellion, Protestaktionen jeder Art. Die Gangsterkommandos dienen damit der Aufrechterhaltung von politischer Stabilität im Lande –  und das ist den Autoritäten sehr recht, ist gut für sie. Natürlich würden sie das nie eingestehen. Ohne Zweifel gehört zum strategischen Kalkül auch der jetzigen Regierung, daß es wegen der so hilfreichen Gangsterkommandos keine soziale Explosion geben wird –  und das ist natürlich reiner Zynismus. Wir haben soviele Gewalttote wie in Bürgerkriegen.” Falls die Lage in den Slums doch einmal außer Kontrolle gerät, setzt der Staat die Armee oder Sondereinheiten der Polizei in Marsch. Nicht zufällig ist der Spielfilm „Tropa de Elite” der erfolgreichste und meistdiskutierte Streifen der letzten Jahre.

Hintergrundtext:

Aasgeier über umkämpftem Leichen-Slum Rio de Janeiro Kirche fordert Menschenrechte für Elendsviertel der Olympia-StadtWeiter heftige Feuergefechte zwischen Banditenkommandos und der Polizei Gefahren für die Olympischen Spiele von 2016?

Über dem Bergslum „Morro dos Macacos“(Affenhügel) unweit der City kreisen derzeit soviele große Aasgeier wie lange nicht. Für Carla Rodrigues, die mitten im Gassenlabyrinth ihre Hütte hat, ein untrügliches Zeichen. Die jüngsten schweren Gefechte zwischen rivalisierenden Banditenkommandos haben viel mehr Tote gefordert als offiziell gemeldet. „Wenn so viele Geier kommen, liegen noch viele Leichen an den Hängen, im Wäldchen, wurden noch nicht entdeckt – es traut sich ja derzeit auch keiner raus.“ Rio de Janeiros Lokalzeitungen haben immer wieder Fotos von Geiern veröffentlicht, die Getötete auffressen. Am Tag, als die hochgerüsteten Gangster über dem „Morro dos Macacos“ den zweiten Polizeihubschrauber vom Himmel holen, zählen Bewohner  vor ihren Baracken über zwanzig Leichen. Feuergefechte im Slum, die Geierschwärme anlocken, sind leider keine Seltenheit – und eine zusätzliche Herausforderung für die bischöfliche Favela-Seelsorge der Erzdiözese Rio de Janeiro. “Wegen der Schießereien sind die Bewohner vieler Slums derzeit regelrecht in ihren Hütten eingesperrt, leben in Angst und Panik“, sagt Priester Luis Antonio Pereira Lopes, der die Seelsorgeaktivitäten leitet. „Kindergärten, Schulen bleiben leer, weil sich niemand heraustraut – es sind schon genug Unschuldige, Unbeteiligte von verirrten Kugeln getötet worden!“ Padre Lopes steigt fast täglich in die Hangslums über Rio de Janeiro hinauf, hält dort in den kleinen Gemeindekirchen  Gottesdienste ab. Nicht selten werden sie von Schießereien unterbrochen, müssen sich die Gläubigen auf den Boden werfen. „Das alles ist ein Desaster – es gibt keine wirkliche Sicherheits-und Menschenrechtspolitik des Staates, die verfassungsmäßigen Rechte der Slumbewohner werden einfach nicht respektiert. Die Menschen brauchen Arbeit, Bildung, ein funktionierendes Gesundheitswesen – und keine sporadischen  Polizeieinsätze, die das Problem nicht lösen.“

Seit Jahrzehnten ist es in Rio immer das Gleiche: Falls Gefechte rivalisierender Gangstersyndikate von den Slums auf die angrenzenden Mittel-und Oberschichtsviertel übergreifen, sogar Stadtautobahnen gesperrt werden müssen, Unterricht für Zehntausende von Schülern ausfällt,  stürmen Sondereinheiten der Polizei tagsüber in die Armenviertel und versuchen, die Banditenkommandos zu vertreiben. Die Beamten kommen indessen nur wenige Zeit und bleiben nie nachts.  Günstig für die Gangster, die sich in wohltrainierter Guerillataktik kurz zurückziehen und nach dem Abzug der Polizei sofort wieder das Zepter übernehmen. Deshalb  prangert Brasiliens Kirche an, daß der Staat auch in den Slums von Millionenstädten wie Rio de Janeiro nicht präsent ist und die Bewohner sich deshalb dem neofeudalen Normendiktat der Verbrechersyndikate unterwerfen müssen. So werden häufig Ausgangssperren verhängt. Wer dagegen verstößt, bezahlt dies mit dem Leben. Zur Abschreckung werden Mißliebige sogar zerstückelt oder auf Scheiterhaufen aus Autoreifen lebendig verbrannt. Im Berlinale-Gewinner  von 2008, dem brasilianischen Spielfilm „Tropa de Elite“, wurde erstmals eine Scheiterhaufen-Szene gezeigt, Rio-Zeitungen haben diese mittelalterliche Barbarei häufig abgebildet. Padre Lopes  versucht immer wieder, auch Gläubigen aus Europa das schwierige Los der Slumbewohner drastisch-plastisch nachvollziehbar zu machen: “Damit die Leute dort überleben können, müssen sie sich zwangsläufig mit den Banditen gut stellen, sozusagen eine Politik der guten Nachbarschaft pflegen. Befehle, Regeln müssen unbedingt eingehalten werden.“ Für Padre Lopes  und seine Mitarbeiter handelt es sich bei jenen jungen Gangstern um Brasilianer, denen Staat und Gesellschaft keinerlei Chance gaben, sich persönlich zu entwickeln und zu bilden. „Das organisierte Verbrechen bietet aber Pseudo-Chancen an –  alles, was junge Menschen gerne haben wollen:  Schicke Markenklamotten, ein tolles Auto – doch der Preis dafür ist eben das eigene Leben. All diese jungen Banditen leben nur kurz, sterben sehr früh, werden höchstens 25.“  Bei solchen Gefechten wie jetzt werden zudem viele unbeteiligte, völlig unschuldige Slumbewohner getötet.

Die Kirche unterhält in zahlreichen umkämpften Slums Sozialprojekte, darunter sogar Schulen und Kindergärten, Hospitäler und Arztpraxen, muß sich ebenfalls an die Banditenregeln halten. Doch häufig wird den Mitarbeitern sogar für Monate der Zutritt zu den Elendsvierteln verboten, vor allem dann, wenn ein rivalisierendes Gangstersyndikat nach langen Kämpfen die Macht übernahm. Und nicht nur in Rio de Janeiro werden immer wieder Priester getötet. Luis Antonio Pereira Lopes  von der Slum-Seelsorge bedrückt, daß in den Favelas die Werte der Gewalt und der Rache dominieren, die Vermittlung christlicher Werte sehr kompliziert ist: „Dort fehlt der Staat, fehlen Institutionen, die den Kindern ethische Prinzipien beibringen. Auch die Kirche müßte dort viel präsenter sein. Denn wer erzieht die Jugend dort, wenn deren Eltern außerhalb des Slums irgendwo Geld verdienen müssen ? Jene, die ständig präsent sind – also die Banditen. Sie sind gerissen und wissen gut, mit den Kindern umzugehen. Diese werden ja künftig als Arbeitskräfte gebraucht, damit die kriminellen Geschäfte weiterlaufen können. Aus all diesen Gründen hat die Bischofskonferenz ihre diesjährige Brüderlichkeitskampagne der öffentlichen Sicherheit gewidmet. Und die gespannte Lage in Rio de Janeiro beweist, daß die Kirche ein hoch aktuelles Thema aufgriff, das den Menschen auf den Nägeln brennt.“

Der Drogenhandel ist nur ein Teilbereich der Banditenaktivitäten – hinzu kommen Bank-und Frachtraub, Auftragsmorde, Geiselnahmen und internationaler Waffenhandel.

Brasilien ist zwar die zehntgrößte Wirtschaftsnation, auf dem neuesten UNO-Index für menschliche Entwicklung aber vom siebzigsten auf den fünfundsiebzigsten Rang zurückgefallen. Denn die sozialen Kontraste sind schärfer geworden, wie das rasche Wachstum der Elendsviertel von Rio de Janeiro zeigt. “In den letzten zehn Jahren hat sich die Zahl der Slums selbst nach offiziellen Zahlen auf 1043 verdoppelt“, sagt Padre Lopes , „über zwei Millionen Menschen, also ein Drittel der Rio-Bewohner, hausen bereits in solchen Vierteln.“ Unweit der umkämpften Slums, so fällt jedermann auf, sind Kasernen von Luftwaffe, Infanterie  und Marine – doch die Soldaten werden nicht gegen die Gangstersyndikate eingesetzt. Denn Teile der Eliten und sogar Politiker profitieren von kriminellen Geschäften, argumentieren brasilianische Sozialwissenschaftler. Nicht wenige Geistliche stimmen zudem mit José Murilo de Carvalho, Historiker und Mitglied der nationaler Dichterakademie, überein, der die Banditen-Diktatur über den Parallelstaat der Slums sogar „systemstabilisierend“ nennt. „Die Existenz des organisierten Verbrechens in den Slums“, so Carvalho, „blockiert die Politisierung der Bewohner, hält sie ruhig, verhindert eine Rebellion, Protestaktionen jeder Art. Das Protestpotential der Armenviertel wird von den lokalen Despoten total erstickt. Die Gangsterkommandos dienen damit der Aufrechterhaltung politischer Stabilität im Lande – und das ist den Autoritäten sehr recht, ist gut für sie. Natürlich würden sie das nie eingestehen.“ In solches Kalkül paßt, daß man sich um die Sicherheit während der Olympischen Spiele von 2016 in Rio keine Sorgen zu machen braucht. „Die offenen Wunden der Stadt werden dann unter einem dicken Make-up versteckt“, betonen Pressekommentatoren.  Zudem gibt es, wie durchsickerte, während internationaler Großveranstaltungen stets Stillhalteabkommen mit den Gangstersyndikaten, werden zudem Unmengen von Polizei und Soldaten in der Zuckerhutmetropole eingesetzt.

Das umstrittene Wasserkraftprojekt Belo Monte – Amazonasbischof Erwin Kräutler:

Mit heftiger Kritik an Brasilias Amazonaspolitik hat der 73-Jährige noch nie gespart – doch seine neueste Analyse in Brasiliens Nachrichtenmagazin „Epoca“ läßt besonders aufhorchen. Erstmals nennt er Ex-Staatschef Lula und dessen Amtsnachfolgerin Dilma Rousseff „skrupellose Amazonas-Zerstörer, die Wirkungen verursachten, durch die sich das Klima des Planeten unumkehrbar veränderte.“ Belo Monte werde einen Domino-Effekt haben und sei der „Dolchstoß“ mit dem Lula und Dilma Rousseff das Herz Amazoniens tödlich träfen. „Nach meinen Informationen sind in Brasilien 61 Wasserkraftwerke geplant, die meisten davon in Amazonien.“ Derzeit werden neben Belo Monte bereits mehrere andere errichtet.

 Wer meint, daß da ein katholischer Bischof mit seinen Vorwürfen maßlos übertreibt, lediglich Stimmung macht, braucht nur die Qualitätszeitungen Brasiliens aufzuschlagen. Die berichten fast täglich über Streiks, Arbeiterrevolten auf den Baustellen, heftige Zusammenstöße mit der Militärpolizei, eine stark in die Höhe geschnellte Mordrate sowie Kinderprostitution, „Chaos und Gewalt“, dazu die Aktionen der sich wehrenden Indianer.

Wohl ebenso unvorstellbar in Deutschland: Wegen Massenelend und  zunehmender Armut lösen in einem Land wie Brasilien derartige Großbaustellen stets eine regelrechte Völkerwanderung aus, machen sich Hunderttausende aus den Slums der südlichen Großstädte nach Amazonien auf, kampieren direkt neben den Großbaustellen in Zelten und Hütten, hoffen auf einen Job, eine Gelegenheitsarbeit. Bischof Kräutler hat dies alles jetzt sozusagen vor der Haustür – und sieht sich dann als Seelsorger gedrängt, „Schritte zu unternehmen, die man als Bischof in Deutschland oder Österreich nicht tun müßte“. Dazu gehört, der Welt die Vorgeschichte eines Staudammprojekts zu erklären, das die Foltergeneräle des Militärregimes geplant hatten, viele mit deren Abtreten 1985 daher auch Belo Monte für abgehakt hielten. Mit dem Amtsantritt von Lula 2003 erst recht. Noch 2009 sichert er Kräutler im Präsidentenpalast von Brasilia zu: “Dieses Projekt zwinge ich niemandem auf – Erwin, du kannst mit mir rechnen.“ Heute urteilt der Bischof: „Das war Theater, politisches Spielchen, nur Show. Der Widerstand gegen Belo Monte identifizierte sich mit Lulas Arbeiterpartei PT. Als wir entdeckten, daß Lula seine Position geändert hatte, sind wir aus allen Wolken gefallen. Das war Verrat. Ich selbst fühle mich verraten. Lula hat Amazonien nie verstanden – und versteht auch die Indianer nicht.“

Aber Brasilien ist doch eine Demokratie, ein Rechtsstaat, heißt es. Auch in diesem Punkte urteilt der Bischof auffällig konträr:“Heute haben wir eine Zivildiktatur – denn Belo Monte wurde aufgezwungen, ohne die Verfassung, darunter die Indianerrechte zu respektieren.“ Das derzeitige Chaos in Altamira sei anschaulicher Beweis, daß die Regierung eine ganze Stadt wie „Abfall“ behandele.

Hübsch politisch korrekt, mögen manche auch in Europa nur ungern die Rolle von Staatspräsidentin Dilma Rousseff bei den Kraftwerksplanungen kritisch hinterfragen – schließlich war sie in der Lula-Regierung just als Energieministerin für derartige Projekte, auch weitere neue Atomkraftwerke, zuständig. Bischof Kräutler zögert mit Klarstellungen nicht:“Wir können soviel protestieren, wie wir wollen – Dilma Rousseff verhindert jeglichen Dialog schon im Ansatz.  Belo Monte ist kein Thema für eine Diskussion. Sie ist sehr hart, unnachgiebig, akzeptiert keine abweichende Meinung. Umwelt, Indianer, die Flußuferbewohner, das Volk von Altamira – für Dilma Rousseff zählt dies alles nicht.“

Am Bauplatz von Belo Monte wurde bereits kräftig Urwald abgeholzt, bewegten Bagger und Planierraupen mehrere Millionen Kubikmeter Erde. Viele in Brasilien halten daher weiteren Widerstand gegen den künftig drittgrößten Stausee der Erde für sinnlos. Auch Bischof Kräutler? „Nein, keineswegs. Ich bin nicht der Typ, der klein beigibt. Wir werden alle gewaltlosen Mittel anwenden, um dieses Monsterprojekt doch noch zu verhindern.“

Dieser Beitrag wurde am Donnerstag, 11. August 2016 um 15:49 Uhr veröffentlicht und wurde unter der Kategorie Politik abgelegt. Du kannst die Kommentare zu diesen Eintrag durch den RSS-Feed verfolgen.

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