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	<title>Klaus Hart Brasilientexte &#187; SÃ¼damerika</title>
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	<description>Aktuelle Berichte aus Brasilien - Politik, Kultur und Naturschutz</description>
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		<title>Südamerika &#8211; die Pasteurisierung der Linken. &#8222;Faca novo o teu ano&#8220; &#8211; Frei Betto, Le Monde Diplomatique.</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Dec 2008 15:05:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Klaus Hart]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Politik]]></category>
		<category><![CDATA[Frei Betto]]></category>
		<category><![CDATA[Linke]]></category>
		<category><![CDATA[SÃ¼damerika]]></category>

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		<description><![CDATA[Adital &#8211; Na virada do século XX ao XXI, a América do Sul assistiu ao agravamento da questáo social em decorrÃªncia das polÃ­ticas neoliberais adotadas nas décadas precedentes. Isso fortaleceu os movimentos sociais e os partidos polÃ­ticos que representavam alternativas de mudanças. Ã‰ o que explica a eleiçáo a presidente da RepÃºblica de ChÃ¡vez na [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Adital &#8211;<br />
Na virada do século XX ao XXI, a América do Sul assistiu ao agravamento da questáo social em decorrÃªncia das polÃ­ticas neoliberais adotadas nas décadas precedentes.</p>
<p><span id="more-1536"></span>Isso fortaleceu os movimentos sociais e os partidos polÃ­ticos que representavam alternativas de mudanças. Ã‰ o que explica a eleiçáo a presidente da RepÃºblica de ChÃ¡vez na Venezuela, Lula no Brasil, Morales na BolÃ­via, Correa no Equador e Lugo no Paraguai.</p>
<p>Se, de um lado, a esquerda sul-americana logra ser uma alternativa de governo, por que náo o consegue ao se tratar de uma alternativa de poder?</p>
<p>Desde a queda do Muro de Berlim (1989) a esquerda, em todo o mundo, entrou em crise de identidade. A implosáo da Uniáo Soviética e a adesáo da China Ã  economia capitalista de mercado deixaram-na Ã³rfá, sem respaldo necessÃ¡rio para empreender mudanças pela via revolucionÃ¡ria.<!--  	google_ad_client = "pub-3196111432276770";  	google_ad_slot = "6994039295";  	google_ad_width = 468;  	google_ad_height = 60;  	//--></p>
<p>Na América do Sul, optou-se, pois, pelo fortalecimento dos movimentos sociais representados por partidos polÃ­ticos cujas raÃ­zes se inseriam nas comunidades cristás de base, fomentadas pela Teologia da Libertaçáo; no sindicalismo combativo; nas organizaçÃµes populares de indÃ­genas, camponeses, negros, migrantes, mulheres, e excluÃ­dos em geral. No caso venezuelano, a contestaçáo se transformou em força polÃ­tica até mesmo nas Forças Armadas.</p>
<p>Náo restava alternativa a esse movimento social engajado na busca de um &#8222;outro mundo possÃ­vel&#8220; senáo disputar, com os partidos do establishment, o espaço do poder. Embora desprovidas de recursos financeiros e apoio internacional, as forças polÃ­ticas de oposiçáo &#8211; a esquerda &#8211; detinham suficiente poder de mobilizaçáo popular adquirido, nas décadas anteriores, pelo &#8222;trabalho de formiga&#8220; para organizar setores populares situados entre a pobreza e a miséria, como, no Brasil, o fizeram as CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) e o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), que tinham, no PT, no PCdoB e, de certo modo, no PDT, as suas expressÃµes polÃ­ticas.</p>
<p>Esse processo tem sido responsÃ¡vel por mudar o carÃ¡ter polÃ­tico de governos da América do Sul.</p>
<p>O que se vÃª, agora, é um impasse, do qual o caso brasileiro é exemplo. Náo hÃ¡ como gerar uma ruptura revolucionÃ¡ria, como ocorreu em Cuba em 1959. Como, entáo, promover reformas de estruturas e reduzir a brutal desigualdade entre a populaçáo? Avanços nesse sentido acontecem, hoje, em paÃ­ses que se apÃ³iam numa nova ordem constitucional, como é o caso da Venezuela, da BolÃ­via e do Equador.</p>
<p>No Brasil, o governo Lula optou por uma governabilidade baseada na polÃ­tica de conciliaçáo com os setores dominantes e compensaçáo aos dominados, dentro do receituÃ¡rio econÃ´mico neoliberal. Ao assumir a presidÃªncia, Lula poderia ter assegurado sua sustentabilidade polÃ­tica em duas pernas: o Congresso Nacional e os movimentos sociais. Escolheu o primeiro parceiro e descartou o segundo, que lhe era co-natural. Assim, tornou-se refém de forças polÃ­ticas tradicionais, oligÃ¡rquicas, que ora integram o grande arco de alianças (14 partidos) de apoio ao governo.</p>
<p>Descolamento das bases populares</p>
<p>Ao chegar ao governo, o PT preencheu considerÃ¡vel parcela de funçÃµes administrativas graças Ã  nomeaçáo de lÃ­deres de movimentos sociais. Afastados de suas bases, essas lideranças se encontram, hoje, perfeitamente adaptadas Ã s benesses do poder, sem o menor interesse em retomar o &#8222;trabalho de base&#8220;. Instados a se manifestar, sáo a voz do governo junto Ã s bases, e náo o contrÃ¡rio.</p>
<p>Por sua vez, o governo adotou uma polÃ­tica de relaçáo direta com a parcela mais pobre da populaçáo, sem a mediaçáo dos movimentos sociais, como é o caso do programa Bolsa FamÃ­lia, que ocupou o espaço do Fome Zero. Este se apoiava em ComitÃªs Gestores integrados por lideranças da sociedade civil, que controlavam e fiscalizavam a iniciativa. Agora, o mesmo papel é exercido pelas prefeituras. E o propÃ³sito emancipatÃ³rio, de manter as famÃ­lias castigadas pela miséria no programa por, no mÃ¡ximo, dois anos, foi abandonado em favor de uma dependÃªncia que traz ao governo bÃ´nus eleitoral.</p>
<p>Tal medida enfraquece os movimentos e, ao mesmo tempo, joga o governo no risco de ceder ao neocaudilhismo: o nÃºcleo governante, voltado unicamente ao seu projeto de perpetuaçáo no poder, mantém, via polÃ­ticas sociais, relaçáo direta com a populaçáo beneficiÃ¡ria, sem contar sequer com a mediaçáo de partidos polÃ­ticos originados na esquerda. No Brasil, o fenÃ´meno do lulismo (76% de aprovaçáo) se descolou do petismo. O PT, por sua vez, aceitou restringir-se ao jogo do poder. Sáo cada vez mais raros, pelo paÃ­s, os nÃºcleos de base do PT. Agora, o processo de filiaçáo de novos militantes jÃ¡ náo obedece a critérios ideolÃ³gicos, e nem hÃ¡ cursos de capacitaçáo polÃ­tica.</p>
<p>Um projeto de poder</p>
<p>O que significam tais mudanças? Elas apontam para a perda do horizonte socialista, que norteava o PT, o PCdoB e muitos militantes do PDT. Trata-se de sobreviver politicamente, combinando a economia neoliberal com uma polÃ­tica social-democrata de carÃ¡ter compensatÃ³rio, náo emancipatÃ³rio. Assim, questÃµes candentes da pauta histÃ³rica da esquerda, como a reforma agrÃ¡ria, sáo relegadas a futuro incerto. Escolhe-se abster-se de um modelo alternativo de desenvolvimento sustentÃ¡vel e libertador. O projeto Brasil é descartado em benefÃ­cio de um projeto de poder, para cujo Ãªxito náo faltam escÃ¢ndalos de corrupçáo (mensaláo) e alianças contraÃ­das com partidos e forças sociais e econÃ´micas que o PT, o PCdoB e o PDT, ao serem fundados, se propunham enfrentar e derrotar.</p>
<p>Esperava-se que o efeito Lula viesse a demonstrar que, através do fortalecimento progressivo dos movimentos populares, seria possÃ­vel conquistar parcelas de poder. E novos paradigmas seriam introduzidos na esfera de governo. Se isso significasse a superaçáo paulatina das polÃ­ticas neoliberais, e a melhoria da qualidade de vida da populaçáo, representaria um avanço. Caso contrÃ¡rio, náo haveria como náo dar razáo ao profetismo polÃ­tico de Robert Michels que, em 1911, em seu clÃ¡ssico Os partidos polÃ­ticos, defende a tese, até agora confirmada pela histÃ³ria, de que todo partido de esquerda que insiste em disputar espaço na institucionalidade burguesa termina por ser cooptado por ela, em vez de transformÃ¡-la.</p>
<p>Lula teve, nos primeiros meses de seu governo, poder suficiente para promover a reforma agrÃ¡ria e a auditoria da dÃ­vida pÃºblica. Náo soube aproveitÃ¡-lo. HÃ¡ momentos em que o poder estÃ¡ com o povo (caso da mobilizaçáo que derrubou o governo Collor, em 1992); outros, com o governo; e outros com o capital financeiro ou com algum setor nacional ou internacional. A correlaçáo de forças determina quem, num dado momento, detém o poder.</p>
<p>Lula comprovou ser possÃ­vel inserir-se numa estrutura viciada &#8211; a sindical &#8211; sem se deixar cooptar por ela. Haveria de lograr o mesmo no governo? Náo o conseguiu. A mÃ¡quina do Estado, azeitada pelos interesses das elites, refreou-lhe idéias e aspiraçÃµes. Atucanada, a polÃ­tica econÃ´mica impÃ´s-se como prioridade das prioridades, sem reflexos significativos na Ã¡rea social, em que pese a reduçáo da miséria através do Bolsa FamÃ­lia.</p>
<p>Como sindicalista, Lula náo esperou que os trabalhadores freqüentassem a sede do sindicato. Fez o sindicato deixar a sede para ir ao encontro dos trabalhadores na porta e no interior das fÃ¡bricas. Como estadista, náo conseguiu repetir o gesto. Portanto, náo implementou, como sonhava o PT, uma polÃ­tica de empoderamento popular, através da mobilizaçáo permanente dos setores organizados da sociedade civil.</p>
<p>Para Robert Michels, um partido de esquerda sobrevive legalmente na democracia burguesa abdicando de seu programa socialista e compactuando com a ordem vigente. Contudo, a probabilidade disso ocorrer sÃ³ se conhece quando o partido chega ao governo. Enquanto permanece minoritÃ¡rio, destituÃ­do de poder institucional, todo o seu discurso de esquerda náo passa de palavra vazia para os partidos que governam. O perigo surge quando ele surpreende e, devido a circunstÃ¢ncias que escapam Ã s previsÃµes e manobras da elite, sai vitorioso nas eleiçÃµes. Sim, o povo em sua sabedoria tem o direito de se dar uma chance, ao menos pela lÃ³gica da exclusáo. Vota na oposiçáo, náo necessariamente convencido de que é melhor, mas cansado da mesmice.</p>
<p>Para chegar a ser vitorioso no atual regime democrÃ¡tico-burguÃªs hÃ¡ forças polÃ­ticas de esquerda que, tendo abandonado o trabalho de organizaçáo popular, estáo convencidas de que é preciso aceitar as regras do jogo. A primeira é depender do dinheiro de quem o possui, o que náo é o caso dos desempregados, dos operÃ¡rios, dos trabalhadores em geral. Dinheiro em eleiçáo significa investimento; ninguém investe para perder. Todo investimento supÃµe a possibilidade de ganhos, lucros. HÃ¡ que contar com meios de comunicaçáo, que náo se reduzem a panfletos impressos em grÃ¡ficas de fundo de quintal, nem a comÃ­cios em que a sucessáo de discursos repetitivos aborrece o pÃºblico, exceto a militÃ¢ncia que ali se junta para fazer eco e marola frente ao que é proferido.</p>
<p>O bom uso dos meios de comunicaçáo depende, por sua vez, de marqueteiros, que detÃªm os segredos de seduçáo do eleitor. Como náo sáo polÃ­ticos, e em geral nem gostam de polÃ­tica, aplicam aos candidatos a mesma receita do sucesso de venda de produtos que anunciam. Assim, a dependÃªncia do dinheiro da elite, da mÃ­dia das grandes corporaçÃµes e do marketing das agÃªncias de publicidade, resultam na progressiva descaracterizaçáo das campanhas eleitorais que, no caso dos partidos de esquerda, significa o abandono da proposta socialista e a progressiva desideologizaçáo de seu discurso e de suas propostas.</p>
<p>HÃ¡ uma diferença radical entre esquerda e direita: esta age motivada por interesses, sobretudo de aumento da riqueza concentrada em suas máos; aquela age (ou deveria agir) por princÃ­pios, centrada no direito Ã  vida da maioria da populaçáo. Ã‰ muito raro um polÃ­tico de direita apoiar reformas direcionadas a diminuir a desigualdade social, reduzindo a renda dos mais ricos para permitir mais acesso dos pobres Ã  riqueza nacional.Â  Se acontece, é por força de pressÃµes da conjuntura.</p>
<p>Qual seria a soluçáo? Primeiro, resgatar o &#8222;trabalho de base&#8220;, de educaçáo polÃ­tica dos militantes de movimentos sociais, de fortalecimento de suas organizaçÃµes e entidades. A isso seria preciso somar a reforma polÃ­tica, introduzindo o financiamento pÃºblico das campanhas eleitorais. Evitar-se-ia que os mais endinheirados tivessem sempre maiores chances de ser eleitos. Mas enquanto essa proposta náo ganha força de lei, os partidos deveriam ser obrigados a divulgar os gastos de campanha de cada um de seus candidatos, bem como explicitar as fontes financiadoras. E caberia Ã  Justiça Eleitoral exigir prestaçáo de contas e a quebra do sigilo bancÃ¡rio dos eleitos. Afinal, estamos falando de res publica, esfera na qual toda clandestinidade é suspeita, excetuando os serviços de informaçáo do Estado.</p>
<p>A reforma polÃ­tica, se mantido o financiamento de campanhas eleitorais pela iniciativa privada, deveria criminalizar o uso de caixa dois. Toda contribuiçáo viria da contabilidade formal, sujeita Ã  auditoria da Justiça Eleitoral e da Receita Federal.</p>
<p>A pasteurizaçáo eleitoral da esquerda corre o risco de prolongar-se no exercÃ­cio do poder. Se a mulher de César deve ser honesta e também parecer honesta, o polÃ­tico que se deixa maquiar para efeitos eleitorais periga preocupar-se mais em parecer eficiente do que em sÃª-lo. Governa de olho nas pesquisas de opiniáo, abdica de seus compromissos de campanha para submeter-se Ã  sÃ­ndrome do eleitoralismo. Conservar-se no poder passa a ser a sua obsessáo, e náo a preocupaçáo de administrar para imprimir melhoria nas condiçÃµes de vida da maioria da populaçáo. Essa desideologizaçáo tende a reduzir a polÃ­tica Ã  arte de acomodar interesses. Perdem-se a perspectiva estratégica e o horizonte histÃ³rico; jÃ¡ náo se busca um &#8222;outro mundo possÃ­vel&#8220;, agora tudo se reduz a cultivar uma boa imagem junto Ã  opiniáo pÃºblica. Aos poucos a militÃ¢ncia fenece, dando lugar aos que atuam por contrato de trabalho, gente desprovida daquele entusiasmo que imprimia idealismo Ã s campanhas. A mobilizaçáo é suplantada pela profissionalizaçáo.</p>
<p>A polÃ­tica sempre foi um fator de educaçáo cidadá. Esvaziada de conteÃºdo ideolÃ³gico, como consistÃªncia de idéias, transforma-se em mero negÃ³cio de acesso ao poder. Elege-se quem tem mais visibilidade pÃºblica, ainda que desprovido de ética, princÃ­pios e projetos. Ã‰ a vitÃ³ria do mercado sobre os valores humanitÃ¡rios. No lugar de Liberdade, Igualdade e Fraternidade entram a visibilidade, o poder de seduçáo e os amplos recursos de campanha. Ã‰ a predominÃ¢ncia do marketing sobre os princÃ­pios. E, como todos sabem, o segredo do marketing náo é vender produtos, e sim ilusÃµes com as quais os embala, pois nutrem a mente de fantasias, embora náo encham barriga; ao contrÃ¡rio, alimentam a revolta dos excluÃ­dos que, atraÃ­dos pela fantasia, cobram a realidade Ã  sua maneira, o que é pior para todos nÃ³s&#8230; A menos que o que resta da esquerda &#8211; movimentos sociais como o MST, o incipiente PSOL e alguns setores do PT e do PCdoB &#8211; se empenhe em mergulhar no mundo dos excluÃ­dos para ajudÃ¡-los a dar consistÃªncia polÃ­tica Ã s suas demandas e aspiraçÃµes, e que conquiste uma reforma polÃ­tica capaz de depurar e aprimorar o nosso processo democrÃ¡tico.<br />
[Autor de &#8222;CalendÃ¡rio do Poder&#8220; (Rocco), entre outros livros.<br />
Publicado em LeMonde Diplomatique, dez/08]</p>
<p>* Escritor e assessor de movimentos sociais</p>
<p><font size="4"><strong>FAÃ‡A NOVO O TEU ANO</strong></font>Â <font face="Arial Black">Frei Betto</font><font face="Arial Black">Â </font></p>
<p><font size="3"><font face="Arial Black"><font size="3" face="Arial Black">Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  </font><font size="3" face="Arial Black">Neste ano-novo, faça-te novo, reduzas a tua ansiedade, cultivas flores no canteiro da alma, regues de ternura teus sentimentos mais profundos, imprimas a teus passos o ritmo das tartarugas e a leveza das garças.</font> </font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Arial Black">Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  Náo te mires nos outros; a inveja é um cancro que mina a auto-estima, fomenta a revolta e abre, no centro do coraçáo, o buraco no qual se precipita o prÃ³prio invejoso. </font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Arial Black">Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  Mira-te em ti mesmo, assumas teus talentos, acredites em tua criatividade, abrace com amor tua singularidade. Evitas, porém, o olhar narciso. Sejas solidÃ¡rio; aos estender aos outros as tuas máos estarÃ¡s oxigenando a prÃ³pria vida. Náo seja refém de teu egoÃ­smo.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Arial Black">Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  Cuida-te da lÃ­ngua. Náo professes difamaçÃµes e injÃºrias. O Ã³dio destrÃ³i quem odeia, náo o odiado. Troque a maledicÃªncia pela benevolÃªncia. Comprometa-te a expressar ao menos cinco elogios por dia. Tua saÃºde espiritual agradecerÃ¡. </font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Arial Black">Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  Náo desperdices tua existÃªncia hipnotizado pela TV ou navegando aleatoriamente pela internet, naufragado no turbilháo de imagens e informaçÃµes que náo consegues transformar em sÃ­ntese cognitiva. Náo deixes que a espetacularizaçáo da mÃ­dia anule tua capacidade de sonhar e te transforme em consumista compulsivo. A publicidade sugere felicidade e, no entanto, nada oferece senáo prazeres momentÃ¢neos. </font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Arial Black">Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  Centra tua vida em bens infinitos, nunca nos finitos. Leia muito, reflitas, ouse buscar o silÃªncio neste mundo ruidoso. LÃ¡ encontrarÃ¡s a ti mesmo e, com certeza, um Outro que vive em ti e quase nunca é escutado.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Arial Black">Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  Cuida da saÃºde, mas sem a obsessáo dos anoréticos e a compulsáo dos que devoram alimentos com os olhos. Caminhas, pratiques exercÃ­cios aerÃ³bicos, sem descuidar de acarinhar tuas rugas e náo temer as marcas do tempo em teu corpo. Freqüentes também uma academia de malhar o espÃ­rito. E passe nele os cremes revitalizadores da generosidade e da compaixáo.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Arial Black">Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  Náo dÃªs importÃ¢ncia ao que é fugaz, nem confundas o urgente com o prioritÃ¡rio. Náo te deixes guiar pelos modismos. Faças como SÃ³crates, observe quantas coisas sáo oferecidas nas lojas que tu náo precisas para ser feliz. Jamais deixes passar um dia sem um momento de oraçáo. Se náo tens fé, mergulha-te em tua vida interior, ainda que por apenas cinco minutos.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Arial Black">Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  Náo te deixes desiludir pelo mundo que o cerca. Assim o fizeram seres semelhantes a nÃ³s. Saibas que és chamado a transformÃ¡-lo. Se tens nojo da polÃ­tica, receberas a gratidáo dos polÃ­ticos que a enojam. Se és indiferente, agradeceráo os que a ela se apegam. Se reages e atuas, haveráo de temer-te, porém a democracia se farÃ¡ mais participativa.</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Arial Black">Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  Â Arranque de tua mente todos os preconceitos e, de tuas atitudes, todas as discriminaçÃµes. <strong>SÃª tolerante, coloca-te no lugar do outro. </strong>Todo ser humano é o centro do Universo e morada viva de Deus. Antes, indagues a ti mesmo por que provocas em outrem antipatia, rejeiçáo, desgosto. Reveste-te de alegria e descontraçáo. A vida é breve e, de definitivo, sÃ³ conhece a morte. </font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Arial Black">Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  Faça algo para preservar o meio ambiente, despoluir o ar e a Ã¡gua, reduzir o aquecimento global. Náo utilizes material náo-biodegradÃ¡vel. Trate a natureza como aquilo que ela é de fato: tua máe. Dela viestes e a ela voltarÃ¡s; hoje, vives do beijo que lhe dÃ¡ continuamente na boca: ela te nutre de oxigÃªnio e alimentos. </font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Arial Black">Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  Guarde um espaço em teu dia-a-dia para conectar-te com o Transcendente. Deixas que Deus acampe em tua subjetividade. Aprendas a fechar os olhos para ver melhor.</font></font></p>
<p>Â <font size="3"><font face="Arial Black">Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â  Feliz 2009!</font></font>Â </p>
<p><strong>Frei Betto é escritor, autor de ”Gosto de uva (Garamond), entre outros livros.</strong>Â Â </p>
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