<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Klaus Hart Brasilientexte &#187; Brasilien-Arnaldo Jabor 2012</title>
	<atom:link href="http://www.hart-brasilientexte.de/tag/brasilien-arnaldo-jabor-2012/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.hart-brasilientexte.de</link>
	<description>Aktuelle Berichte aus Brasilien - Politik, Kultur und Naturschutz</description>
	<lastBuildDate>Sun, 26 Feb 2023 11:57:53 +0000</lastBuildDate>
	<language>de-DE</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=4.1.42</generator>
	<item>
		<title>Brasiliens freie, originelle Denker &#8211; Filmemacher, populärster Kolumnist Arnaldo Jabor: &#8222;O lado bom da tragedia&#8220;. Zeitgeist: Doom and Gloom, The Rolling Stones.</title>
		<link>http://www.hart-brasilientexte.de/2012/11/21/brasiliens-freie-originelle-denker-arnaldo-jabor-o-lado-bom-da-tragedia/</link>
		<comments>http://www.hart-brasilientexte.de/2012/11/21/brasiliens-freie-originelle-denker-arnaldo-jabor-o-lado-bom-da-tragedia/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 20 Nov 2012 23:34:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Klaus Hart]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Kultur]]></category>
		<category><![CDATA[Politik]]></category>
		<category><![CDATA[Brasilien-Arnaldo Jabor 2012]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.hart-brasilientexte.de/2012/11/21/brasiliens-freie-originelle-denker-arnaldo-jabor-o-lado-bom-da-tragedia/</guid>
		<description><![CDATA[http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-lado-bom-da-tragedia-,962493,0.htm http://www.youtube.com/watch?v=1DWiB7ZuLvI&#38;feature=player_embedded Às vezes, sonho com um supercrash do capitalismo. Maior do que o atual. Em dias de ódio e tédio com o mundo fora dos eixos, desejo o mal: &#8222;Que quebre tudo logo, vamos recomeçar do zero!&#8220; Sonho, às vezes, como um bolchevista louco ou um homem-bomba querendo a morte dos cães infiéis &#8211; [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-lado-bom-da-tragedia-,962493,0.htm">http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-lado-bom-da-tragedia-,962493,0.htm</a></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=1DWiB7ZuLvI&amp;feature=player_embedded">http://www.youtube.com/watch?v=1DWiB7ZuLvI&amp;feature=player_embedded</a></p>
<p><strong>Às vezes, sonho com um supercrash do capitalismo. Maior do que o atual. Em dias de ódio e tédio com o mundo fora dos eixos, desejo o mal: &#8222;Que quebre tudo logo, vamos recomeçar do zero!&#8220; Sonho, às vezes, como um bolchevista louco ou um homem-bomba querendo a morte dos cães infiéis &#8211; que somos nós. Um &#8218;supercrash&#8216; seria bom. Dar-nos-ia uma consciência mais humilde de limites. Em meu delírio, chego a desejar que alguma catástrofe aconteça, para nos despertar desta suja esperança, desta sórdida alegria obrigatória que nos impingem.</strong></p>
<p><a href="http://www.hart-brasilientexte.de/2012/11/17/brasilien-mentalitat-das-verhaltnis-zur-luge-marcelo-rubens-paiva-politisch-unkorrekt-in-o-estado-de-sao-paulo/">http://www.hart-brasilientexte.de/2012/11/17/brasilien-mentalitat-das-verhaltnis-zur-luge-marcelo-rubens-paiva-politisch-unkorrekt-in-o-estado-de-sao-paulo/</a><br />
<span id="more-14219"></span></p>
<p>O crash traria uma nova era; terrível ou não, alguma verdade surgiria… Como chamá-la? A pós-pós-modernidade? O pós-apocalipse? A &#8222;desglobalização&#8220;? A única coisa que não será &#8222;pós&#8220; é a burguesia, claro. Não há &#8222;pós-burguesia&#8220;.</p>
<p>O supercrash seria bom para fracassados, pois estão desculpados, mas seria ruim para catastrofistas &#8211; que ficariam sem anátemas e protestos nos bares. Uma crise é boa para o contato com o absurdo. Nesse sentido, uma crise radical seria &#8218;filosófica&#8216;, porque o mal ficaria banalizado e o bem, um luxo ridículo, um hobby.</p>
<p>Ficaríamos mais espiritualizados com uma supercrise. Num primeiro momento, o horror, bolsas caindo, grana sumindo. Depois, a paz do inevitável, a calma da desgraça assumida &#8211; vejam o rosto pacífico dos famintos do Sudão. A fome traz uma paz desesperançada. Uma super-recessão muito maior que em 29 pode mostrar que a voracidade consumista não é a única maneira de viver. Seríamos mais magros e mais frugais; ficaríamos mais elegantes com um crash. &#8218;Crash chic&#8216;.</p>
<p>Um supercrash apaga o sorriso dos colunáveis nas revistas. Um crash fecha a Caras e provoca uma onda de suicídios de milionários e instilaria humildade nas almas yuppies. Acabariam suspensórios floridos e gravatas de pintinhas. Das salas ricas, sumiriam elefantes de prata, lustres de cristal e tapetes de zebra.</p>
<p>Voltariam os hippies, as drogas lisérgicas, o artesanato de couro, a poesia, a arte, a lenta reflexão, &#8222;slow life&#8220;. Toda crise é uma renascença. Haveria uma estética do crash. O crash criaria escolas filosóficas: o &#8218;pirronismo&#8216; absoluto, um neoniilismo pragmático e a escatologia escatológica: &#8222;a merda está no fim da história&#8220;, uma espécie de Hegel de marcha à ré.</p>
<p>Os intelectuais encheriam a cara nos bares, cheios de esperançoso pessimismo. Os bondosos de carteirinha, os cafetões da miséria, santos oportunistas, ficariam todos em pânico: &#8222;Se não houver um mal claro, como seremos bons?&#8220;</p>
<p>O mundo se &#8218;balcanizaria&#8216; em ilhas culturais e psicológicas; o mundo se espalharia em esponjas, em vazios, em avessos, em &#8218;buracos brancos&#8216; que se alargam enquanto o tecido da sociedade se esgarça. Não seriam &#8218;células de resistência&#8216;, mas &#8218;buracos de desistência&#8216;.</p>
<p>Os filmes americanos ficarão felizes e haverá musicais para nos alegrar, como no tempo do crash de 29 . Fred Astaire vai dançar com Ginger Rogers de novo. O crash acaba com os filmes de grande produção. O crash vai nos livrar dos grandes shows de rock, das milionárias bandas revoltadas, dos best-sellers de autoajuda (pois não haverá salvação possível), das supercervejarias, dos canecões. Diminuiria muito nossa ansiedade patológica e teríamos a depressão, que é muito melhor porque, ao menos, descansamos caídos na cama.</p>
<p>Com a nova guerra fria entre russos e americanos e, talvez, uma guerra quente no Oriente Médio, teríamos a restauração da beleza da morte e não mais sua banalização pelos videogames letais. Uma &#8218;supercrise&#8216; traria um novo sabor de verdade a esta ópera-bufa que vivemos. Acaba o pastelão e começa a tragédia real. O crash será um &#8218;thrill&#8216; para nossas vidas. A paz é chata; parece filme iraniano. A guerra é que é legal, como um filme de ação. O crash também revitalizaria o inútil, a importância do nada, a ausência de urgências, uma saudável tristeza vil. Acabaria com a folga arrogante do capitalismo financeiro, com seus imensos casinos do Mal.</p>
<p>Um crash pode nos dar o frisson de sermos vítimas, a luz negra excitante da paixão. Pode acabar com este bom senso insuportável que nos rege. Acabarão os países emergentes, pois todos seremos reemergentes. Sem consumo, haverá um grande estímulo para o sexo&#8230; já que não teremos nada a fazer. O crash vai parir &#8218;babycrashers&#8216;. E também vai justificar broxadas: &#8222;minha filha&#8230; desculpe&#8230; é o crash&#8230;&#8220; O crash vai acabar com o grande movimento em aeroportos e diminuirá sensivelmente o número de barrigudos falando alto em celulares. O crash fecha Miami. Vão acabar palavras como &#8218;globalização&#8216;, livre mercado, competitividade, desregulamentação, qualidade total, inovação. Como se diz hoje, o mundo terá um &#8222;downsizing&#8220;.</p>
<p>O crash pode vir a ser retrô, delicioso &#8211; voltaremos aos anos 50, de onde nunca saímos, na verdade. Ficaríamos livres da euforia gratuita e teríamos um sadio desalento. Acabaria o vício do passadismo rancoroso, com a desistência da esperança regressista, acabaria a nostalgia de torturas, heranças malditas, ossadas do Araguaia. Acabaria um sonho de futuro. Só teríamos o presente incessante.</p>
<p>O crash vai ser bom para o Brasil conhecer o caos. Há anos que falamos nele sem saboreá-lo, se bem que não temos competência nem para o caos, que é mais &#8218;anglo-saxônico&#8216;. Teremos o pântano, o brejo (para a onde a vaca vai), coisa mais &#8218;nossa&#8216;, mais &#8218;saudades do matão&#8216; com sapos coaxando. O pântano é mais Brasil. O único problema do crash é que ele pode revitalizar os fascismos. E isso, naturalmente, poderá causar uma guerra total, na qual morreremos todos, derretidos, adubando o solo para novas espécies. Mas, já que o espetáculo da história humana foi esse vexame milenar em busca de poder e de esperanças vãs, também isso pode ser bom. O crash seria bom para acabar conosco, esta raça daninha que atrapalhou o livre curso da natureza. Logo, não se preocupe.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.hart-brasilientexte.de/2012/11/21/brasiliens-freie-originelle-denker-arnaldo-jabor-o-lado-bom-da-tragedia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
