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	<title>Klaus Hart Brasilientexte</title>
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	<description>Aktuelle Berichte aus Brasilien - Politik, Kultur und Naturschutz</description>
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		<title>Brasilien: Die Krise, der Hunger und die Nahrungsmittelproduktion &#8211; Landlosenführer Joao Pedro Stedile.</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Nov 2008 22:42:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Klaus Hart]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Kultur]]></category>
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		<description><![CDATA[A crise, a fome e a produçáo de alimentos Adital &#8211; Na década de 60 havia no mundo 80 milhÃµes de pessoas que passavam fome todos os dias. EstÃ¡vamos no auge do capitalismo industrial e do avanço das empresas transnacionais que se expandiam por toda parte para dominar mercado, controlar matérias-primas e explorar a máo-de-obra [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A crise, a fome e a produçáo de alimentos<br />
Adital &#8211; Na década de 60 havia no mundo 80 milhÃµes de pessoas que passavam fome todos os dias. EstÃ¡vamos no auge do capitalismo industrial e do avanço das empresas transnacionais que se expandiam por toda parte para dominar mercado, controlar matérias-primas e explorar a máo-de-obra barata nos paÃ­ses periféricos.</p>
<p><span id="more-1257"></span>Nesse contexto, propuseram a &#8222;revoluçáo verde&#8220;. Prometeram acabar com a fome. E até deram o premio Nobel da Paz a seu maior propagandista.Â  Seu verdadeiro objetivo era, no entanto, introduzir uma nova matriz produtiva na agricultura, baseada no uso intensivo de insumos industriais, como mÃ¡quinas, fertilizantes quÃ­micos e agrotÃ³xicos. A produtividade por hectare se multiplicou. A produçáo total aumentou quatro vezes no mundo. Mas a fome náo acabou! E os famintos passaram de 80 para 800 milhÃµes de pessoas. Agora, cerca de 70 paÃ­ses dependem das importaçÃµes para alimentar seu povo. Na verdade, esse modelo serviu apenas para concentrar o controle da produçáo e do comercio agrÃ­cola mundial em torno de náo mais de 30 grandes empresas transnacionais, como a Bungue, Cargill, ADM, Dreyfuss, Monsanto, Syngenta,Bayer, Basf, Nestlé, etc.</p>
<p align="center">Durante a década de 90, com o domÃ­nio do capital financeiro, essas empresas cresceram ainda mais, porque o capital financeiro sobrante injetou nelas muito dinheiro de fora da agricultura. E assim, elas compraram outras empresas, dominaram mais os mercados, e se concentraram em numero ainda menor.</p>
<p>Mais recentemente, o mundo foi avisado de outras noticias ruins. O petrÃ³leo como fonte de energia dominante no século XX, estava com os dias contados. Suas reservas finitas e náo devem alcançar a 30 anos. E os cientistas alertaram de que estava em curso um processo de aquecimento global, fruto da forma consumista e irresponsÃ¡vel do uso dos bens naturais, que colocava em risco a sobrevivÃªncia da humanidade.</p>
<p>Diante dessas denuncias, o grande capital internacional moveu-se. Formou-se uma aliança diabÃ³lica entre as empresas petroleiras, automobilÃ­sticas e as transnacionais do agro, para irem aos paÃ­ses do hemisfério sul, com abundancia de terra, sol e Ã¡gua, para propor a produçáo dos agro-combustÃ­veis. Que eles chamam enganadoramente de biocombustÃ­veis. Assim, nos Ãºltimos cinco anos, milhÃµes de hectares antes cultivados para alimentos ou controlados por camponeses, passaram para as máos de grandes fazendeiros e empresas para implantar monocultivos de cana, soja,milho, palma africana, girassol. Tudo para produzir etanol ou Ã³leo vegetal.</p>
<p>Repete-se a manipulaçáo da revoluçáo verde. As melhores terras e mais prÃ³ximas dos portos deixaram de ter alimentos, para produzir energia para os automÃ³veis da classe média dos Estados Unidos, China e Japáo. Como o preço do etanol tem como parÃ¢metro os elevados preços do petrÃ³leo, a taxa media de lucro na agricultura subiu de patamar e puxou consigo o preço médio de todos os produtos alimentÃ­cios. Ou seja, a populaçáo em geral consumidora de alimentos, teve que ajudar a pagar a taxa media de lucro que os capitalistas e fazendeiros impuseram em funçáo da produçáo do etanol.</p>
<p>E mesmo assim, náo serÃ¡ resolvido o problema do petrÃ³leo nem do aquecimento global. Os cientistas nos advertem de que o problema do aquecimento e da poluiçáo estÃ¡ diretamente relacionado com o grande nÃºmero de veÃ­culos utilizados no transporte individual. E que para substituir apenas 20% de todo petrÃ³leo ora consumido, terÃ­amos que utilizar todas as terras férteis do planeta.</p>
<p>JÃ¡ estÃ¡vamos vivendo uma situaçáo anÃ´mala na produçáo e preços dos alimentos, quando eclodiu a crise do capital financeiro. Muitos desses capitalistas, detentores de volumosas somas de capital financeiro, na forma de dinheiro, ou na forma de capital fictÃ­cio (tÃ­tulos do tesouro, debÃªntures, cartas de hipotecas&#8230;) com medo de perderem tudo, correram para aplica-lo nas bolsas de mercadorias a futuro. E para os paÃ­ses periféricos comprar bens de natureza, terra, energia, Ã¡gua, etc.<br />
As conseqüÃªncias em todo mundo, desse movimento do capital é que hoje os preços dos produtos agrÃ­colas náo estáo mais relacionados com os custos de produçáo, nem com os volumes de oferta e demanda. Agora, os preços dos alimentos oscilam rapidamente para cima ou para baixo, sob a força exclusiva da especulaçáo praticada pelos capitalistas nas bolsas de mercadorias. Ou pela força do controle oligopÃ³lico que as empresas transnacionais exercem sobre o mercado mundial de produtos agrÃ­colas. Ou seja, a humanidade estÃ¡ nas máos de meia dÃºzia de empresas transnacionais e de grandes especuladores. Resultado: segundo a FAO, os famintos passaram de 800 para 925 milhÃµes em apenas dois anos! E milhÃµes de camponeses da Ãsia, Ãfrica e América Latina, estáo perdendo suas terras, e migrando.</p>
<p>Diante disso a Via campesina, que reÃºne dezenas de organizaçÃµes camponesas de todo mundo, propÃµem uma mudança radical na ordem econÃ´mica da produçáo e comercio dos alimentos. Defendemos a tese da soberania alimentar. Ou seja, que em cada regiáo, paÃ­s, os governos apliquem polÃ­ticas pÃºblicas que estimulem e garantam a produçáo de todos os alimentos necessÃ¡rios pela populaçáo que ali vive. Náo hÃ¡ nenhuma regiáo do mundo, impossibilitada de produzir seus prÃ³prios alimentos por condiçÃµes climÃ¡ticas. Como jÃ¡ explicou o saudoso Josué de Castro na década de 50, a fome e a falta de alimentos náo é uma condiçáo geogrÃ¡fica ou edafoclimÃ¡tica, mas sim resultante de relaçÃµes sociais de produçáo.</p>
<p>Defendemos de que a humanidade precisa encarar os alimentos como um direito de todo ser humano. E deixar de tratÃ¡-los como mercadoria, para dar lucro Ã s empresas transnacionais. E estimular em todos os paises o fortalecimento da produçáo camponesa, Ãºnica forma de fixas as pessoas no interior, e produzir alimentos sadios sem agrotÃ³xicos.</p>
<p>Podemos pregar governantes surdos. Mas sem as mudanças radicais, as contradiçÃµes e os problemas sociais sÃ³ aumentaráo e, algum dia, explodiráo.</p>
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